Ir para o conteúdo
Regionais Revisado por ULTRA AI

'Eu pertenço a esse lugar': criador de conteúdo constrói carreira no Capão Redondo e sonha com a música

Glaydson Nuunes produz conteúdo sobre experiências na periferia, divulga estabelecimentos do bairro e diz que muitos comerciantes locais oferecem produtos e ser

5 min de leitura
'Eu pertenço a esse lugar': criador de conteúdo constrói carreira no Capão Redondo e sonha com a música

Glay: o influenciador que impulsiona negócios da quebrada.

Glaydson Nuunes, conhecido como Glay, de 27 anos, sempre se enxergou como artista. Criado na periferia de São Paulo, ele começou a produzir conteúdo na internet há cerca de dez anos e, ao longo da trajetória, transformou experiências pessoais e vivências do território em trabalho.

Glaydson Nuunes é mais um entrevistado da série Influência de Cria, que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular.

Lá no app, você pode seguir o palco do "Influência de Cria" para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

A relação com o Capão Redondo começou há cerca de três anos, quando Glay decidiu sair de perto da família para construir a própria vida. Segundo ele, a escolha foi uma das melhores decisões que tomou.

Mesmo com a possibilidade de morar em outros lugares, Glay diz que não pretende deixar o bairro neste momento. Para ele, o território se tornou parte da identidade e também do trabalho que desenvolve.

A relação de Glay com a internet começou há cerca de dez anos, ainda no Snapchat. Desde criança, ele conta que gostava de se comunicar, aparecer e criar.

Para ele, a criação de conteúdo também sempre foi pensada como profissão.

Glay afirma que, durante boa parte da trajetória, precisou continuar acreditando no próprio trabalho mesmo sem o reconhecimento que esperava.

🏪 Comércio local como parte do trabalho.

Uma das características do conteúdo de Glay é a valorização de estabelecimentos da própria periferia. Ele passou a registrar experiências em restaurantes e outros comércios locais e percebeu que poderia usar a audiência para apresentar esses lugares ao público.

Para ele, muitos comerciantes do território oferecem produtos e serviços de qualidade, mas nem sempre recebem a mesma visibilidade que estabelecimentos mais conhecidos.

Glay também considera que, para quem vive na periferia, ter acesso a momentos de lazer e consumo pode exigir planejamento financeiro. Por isso, acredita que mostrar opções dentro do próprio território é uma maneira de ampliar as possibilidades do público.

Um dos exemplos citados por Glay é o Fogo de Rua, estabelecimento do Capão Redondo que ganhou repercussão nas redes após ele divulgar um dos produtos da casa. O lanche do estabelecimento virou uma tendência e passou a atrair pessoas de outras regiões e até de outros estados.

Para Glay, a experiência reforçou a ideia de que seu trabalho também pode movimentar negócios do próprio território.

Agressão homofóbica mudou trajetória.

Antes da fase atual, Glay passou por um dos momentos mais difíceis da vida. Ele conta que foi agredido durante uma festa depois de pegar na mão da então namorada.

Segundo ele, o homem que o atacou o atingiu com um soco no rosto. A agressão provocou uma fratura no maxilar e fez com que ele permanecesse cerca de 45 dias com a boca imobilizada, alimentando-se por um canudo.

Glay afirma que a agressão foi motivada por homofobia.

Depois do episódio, ele passou por outros problemas de saúde e ficou cerca de dois anos afastado das redes sociais.

Durante esse período, diz que começou um processo de reconstrução pessoal. Longe da exposição da internet, passou a estudar, ler e buscar referências que o ajudassem a compreender o momento que estava vivendo.

Entre as leituras, cita o escritor Augusto Cury. Na entrevista, Glay não especifica o título do livro, mas diz que os textos do autor tiveram importância no processo.

A volta para a internet aconteceu acompanhada de uma nova fase artística. Glay retornou às redes lançando a música “Recomeço”, produzida durante um projeto gratuito de produção musical.

A faixa nasceu depois que ele participou de um curso de três meses. Durante uma atividade, recebeu uma base musical e decidiu escrever uma letra.

O nome da música representa o momento vivido pelo artista.

Glay não acredita que o caminho para crescer na internet seja apenas acompanhar aquilo que está viralizando. Para ele, o principal diferencial de um criador é conseguir transformar a própria história em conteúdo.

Para ele, manter uma relação saudável com a internet também significa não transformar todos os momentos da vida em conteúdo.

Entre suas referências pessoais, Glay cita a mãe, que considera uma das pessoas que mais admira, e, na música, o cantor Thiago Veight.

Ele também participa de mentorias e atividades para jovens interessados em criação de conteúdo e acredita que a própria história é a principal ferramenta para quem quer começar.

Quando eu chegar lá, vai ser tudo meu.

Agora, quer continuar produzindo conteúdo enquanto trabalha para transformar a música em sua principal carreira.

📰 Leia a entrevista completa abaixo.

Como você se define profissionalmente.

Como começou sua relação com o Capão Redondo.

Por que você decidiu permanecer no Capão.

Como você começou a produzir conteúdo.

Por que você decidiu valorizar os comerciantes locais.

O que a música representa para você.

O que ajudou você durante os dois anos afastado das redes.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 São Paulo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 São Paulolink

Leia também

Mais em Regionais