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Economia Revisado por ULTRA AI

Ata do Copom: Risco fiscal e inflação dividem mercado sobre novos cortes na Selic

A ata do Copom reforça a cautela do Banco Central com a inflação e o cenário fiscal. Entenda as projeções para o futuro da taxa Selic.

6 min de leitura
Ata do Copom: Risco fiscal e inflação dividem mercado sobre novos cortes na Selic

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o corte da taxa básica de juros, a Selic, a 14% ao ano na semana passada, mostrou uma autoridade monetária dividida entre o reconhecimento de uma desinflação em curso e a necessidade de cautela extrema.

Para especialistas e economistas, o documento deixa claro que os próximos passos para a flexibilização dos juros serão rigorosamente dependentes dos dados, especialmente em relação à inflação de serviços e ao nível de atividade.

Mas essa persistência de expectativas inflacionárias desancoradas, somada às incertezas da política fiscal, cria uma divisão na análise da ata no mercado: enquanto parte projeta a manutenção dos juros para frear a demanda e segurar a inflação, outra parcela ainda vê espaço para um alívio monetário contínuo no segundo semestre, levando a Selic a até 13,25%.

Risco fiscal e inflação desancorada.

A ênfase do Banco Central na desancoragem das expectativas chamou a atenção dos economistas, especialmente com as projeções do boletim Focus apontando inflação de 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027.

José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos, aponta que o texto trouxe um viés mais agressivo em relação à última divulgação. Segundo o especialista, o incômodo do BC está na resistência das projeções mais longas.

A inflação persistente seria um motivo para manter os juros mais altos por mais tempo, mas isso traz impacto para as contas públicas e amplia a desancoragem das expectativas, avalia Roberto Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb).

Na mesma linha, Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, destaca que a comunicação do Banco Central soou restritiva (“hawkish”) ao reiterar a necessidade de juros altos por um período prolongado.

O economista reforça que qualquer expectativa de flexibilização mais rápida dependerá obrigatoriamente de uma reancoragem das estimativas de inflação.

Espaço para cortes ou pausa prolongada.

A interpretação sobre o nível adequado de restrição monetária gera projeções distintas para o fim de 2026.

Guilherme Sousa e Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, consideram os termos da ata neutros, mas alteraram a projeção para a taxa básica de 12,25% para 13,25% ao fim deste ano.

Eles afirmam que o Banco Central deverá afrouxar a Selic novamente em 25 pontos-base na próxima reunião, instaurando um ciclo baixista em ritmo mínimo, motivado também pelo recrudescimento da incerteza no Oriente Médio.

Com uma visão um pouco mais branda, Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, enxerga a composição atual do Copom mais inclinada a seguir cortando a Selic do que interromper o ciclo.

Para Lin, a ênfase na desinflação corrente sinaliza uma diretoria disposta a suavizar a política monetária, o que corrobora a expectativa de mais um corte de 25 pontos-base em setembro.

Para ele, a projeção da Selic ao fim do ano é de 13,75%.

O Bradesco também avaliou que o contexto geral deve favorecer mais um corte de juro na próxima reunião, com espaço para a continuidade no ciclo de calibração. “O nosso cenário prevê continuidade da moderação da atividade e que a inflação corrente seguirá mostrando dissipação dos choques do primeiro semestre nos próximos meses, antes dos efeitos do El Niño.

Assim, esperamos mais um corte de juros, para 13,75%. Confirmado o nosso cenário e com câmbio próximo da estabilidade, é provável que os cortes continuem em 2026”, afirma o banco, em relatório.

Em contrapartida, instituições como XP e ASA veem o cenário com mais cautela. Caio Megale, economista-chefe da XP, entende que a autoridade monetária reforçou o diagnóstico de perda de dinamismo da economia, mas sugere que uma pausa para observar os choques globais de oferta seria uma decisão adequada.

Leonardo Costa, economista do ASA, compartilha da visão de manutenção da Selic no patamar de 14%, embora veja espaço para um novo alívio caso a atividade doméstica e os indicadores de inflação recuem.

Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, também projeta Selic em 14% até o fim do ano. Ele destaca a discussão sobre os choques de oferta, o que estaria relacionado à elevação dos preços de energia.

Outro ponto relevante, para Salles, é que o Copom retirou a referência explícita a “pausas e retomadas do ciclo de calibração” e afirmou que “a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário”.

Para ele, isso significa uma Selic estável, embora não descarte novos cortes de juros.

Para André Matos, CEO da MA7 Capital, a ata veio mais dura do que a decisão de corte sugeria. “Isso é o Banco Central avisando que cortar não significa entrar num ciclo longo de queda”, conclui o executivo.

Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, acrescenta que o recado do Banco Central é de serenidade, calibrando os próximos movimentos conforme o ritmo do mercado de trabalho e da economia.

Cenário externo, petróleo e reflexos no crédito.

Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, esclarece que a alta nos rendimentos dos Treasuries reduz a atratividade relativa dos ativos brasileiros, criando um risco de inflação importada caso o câmbio precise absorver parte do ajuste de juros.

Segundo Murad, o Brasil corre o risco de enfrentar uma desaceleração doméstica combinada com choque de custos externos, o que exige diversificação internacional do patrimônio.

No ambiente doméstico corporativo, os altos custos financeiros continuam comprimindo balanços, e uma queda na taxa básica de juros não garante dinheiro mais barato na ponta final de forma imediata.

Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, lembra que a redução do custo efetivo do crédito requer confiança na capacidade de pagamento dos tomadores. “A Selic pode cair primeiro; o crédito ficará mais barato apenas quando inflação, inadimplência e risco convergirem na mesma direção”, pondera Friggi.

Letícia Moschioni, sócia da Finscale, explica que os impactos do aperto monetário já afetam o caixa das empresas e que a autoridade monetária busca um equilíbrio delicado.

A executiva argumenta que a redução da Selic oferece alívio, porém as empresas continuam vulneráveis a aumentos de insumos e tarifas ditados pelo câmbio.

Com a inflação acumulada retornando a 4,44% em 12 meses, mas com o juro real próximo de 9%, o custo de capital continua a ser uma barreira expressiva, especialmente para ativos de risco.

Antônio Patrus, diretor da Bossa Invest, observa que o retorno elevado da renda fixa impõe um padrão rigoroso. “Nesse ambiente, o capital tende a favorecer negócios que provem receita recorrente, margem, eficiência e capacidade de crescer com menor dependência de novas rodadas”, analisa o diretor.

O cenário impõe desafios estratégicos para a gestão de recursos. Gustavo Assis, CEO da Asset, orienta que a composição de carteiras deve unir liquidez e múltiplos prazos de vencimento, dado que a curva de juros pode oscilar independentemente da próxima reunião do Banco Central.

Como sintetiza a CEO da Magno Investimentos, em um mercado regido por juros elevados, construir estruturas resilientes que sobrevivam à volatilidade diária é mais crucial do que tentar prever os curtos movimentos da Selic.

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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