Supostos vínculos com o crime organizado são as principais armas de ataque entre os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro. O tema supera o uso de suspeitas de corrupção que dominaram as artilharias das duas últimas eleições, incluindo o caso Master, um dos motivos da desistência do ex-governador Cláudio Castro (PL) em se candidatar ao Senado.
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), tem explorado a antiga aliança entre o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), e seu antecessor, Rodrigo Bacellar (União) —que está preso sob acusação de vazar informações de uma operação contra o Comando Vermelho, a maior facção do estado.
O candidato do PL, por sua vez, levanta suspeitas contra o ex-prefeito por conseguir fazer campanha, ao lado do presidente Lula, em favelas controladas por facções criminosas.
A estratégia repete a adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o petista em 2022.
As acusações chegaram até ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). O deputado Carlos Jordy (PL), aliado de Ruas que disputa o Senado, pediu a impugnação do registro de candidatura de Paes alegando suposto vínculo do ex-prefeito com o crime organizado.
Jordy usa como argumento a aliança do ex-prefeito com a deputada Lucinha (PSD), ré sob acusação de atuar como "braço político" de um grupo miliciano, e com João Drumond, candidato a deputado estadual pelo PRD e neto do bicheiro Luizinho Drumond.
A defesa do candidato do PSD classificou a manifestação como "temerária, vergonhosa e lamentável" e pede punição ao deputado por litigância de má-fé.
As acusações mútuas de vínculo com o crime organizado são consequências dos desdobramentos da Operação Unha e Carne, que apura a relação de políticos com esses grupos.
Além de Bacellar, foram presos no curso das investigações o juiz federal Macário Júdice e o então deputado estadual Thiago Rangel (Avante), que depois renunciou ao mandato.
O ex-deputado Márcio Canella (União) foi alvo de busca e apreensão.
As investigações adicionaram contornos políticos à crise de segurança pública que atinge o país e, principalmente, o Rio de Janeiro.