## Projeto nuclear está paralisado desde 2015; presidente da Corte resolveu instaurar processo de controle externo depois de julgamento sobre Angra 1.
O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo, determinou nesta 4ª feira (26.ago. 2026) a abertura de um procedimento específico para acompanhar a situação de Angra 3 e produzir informações sobre o futuro do projeto.
A usina nuclear, localizada em Angra dos Reis (RJ), está com as obras paralisadas desde 2015.
A manifestação se deu depois do julgamento de uma auditoria de conformidade do Fiscobras 2026 sobre os principais contratos do programa de extensão da vida útil de Angra 1.
O processo, relatado pelo ministro Jorge Oliveira, levou integrantes da Corte a questionarem a demora do governo em decidir se concluirá ou abandonará Angra 3.
Zymler afirmou que a demora aumenta as dívidas e o investimento necessário para uma eventual retomada. “É um luxo nós não decidirmos. Isso me incomoda profundamente”, declarou.
O ministro também defendeu que o valor econômico da geração firme de Angra 3 seja considerado nos estudos. Segundo ele, a energia nuclear não pode ser diretamente substituída por fontes intermitentes, como a solar e a eólica, e pode ajudar a atender grandes consumidores que necessitam de fornecimento contínuo.
Zymler foi acompanhado pelos demais ministros, que também se manifestaram em favor da tomada de decisão. Augusto Nardes chegou a dizer que tentou organizar, no início do atual governo, uma visita a Angra 3 com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas que a agenda foi cancelada e não voltou a ser marcada.
Já Jorge Oliveira, que relatou o processo sobre Angra 1, afirmou que a indefinição impõe gastos contínuos à Eletronuclear –estatal responsável pelo projeto– para conservar a estrutura e os equipamentos comprados.
Ele chegou a defender a expansão da geração nuclear na matriz brasileira e citou a França como um exemplo a ser seguido.
Ao final das manifestações, Vital do Rêgo determinou à Secretaria-Geral de Controle Externo a abertura de um procedimento específico de acompanhamento, monitoramento e produção de conhecimento.
Segundo o presidente, o TCU deve atuar como “indutor do desenvolvimento brasileiro”, e não só como fiscalizador. Vital classificou a situação de Angra 3 como um “festival de horrores”.
A construção de Angra 3 começou na década de 1980 e passou por sucessivas interrupções. As obras foram novamente paralisadas em 2015, durante os desdobramentos da Lava Jato, quando o projeto tinha atingido cerca de 65% de execução.
Atualmente, não há um cronograma definido para a retomada ou a conclusão.
Em julho de 2026, o CNPE reconheceu como interesse público o pedido da Eletronuclear para negociar a suspensão temporária das dívidas com os 2 bancos estatais. A resolução, porém, não suspendeu automaticamente os pagamentos nem alterou os contratos de financiamento.
A definição sobre concluir ou abandonar Angra 3 continua pendente.
Fontes
Informação baseada em material público de Poder360, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.