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Política Revisado por ULTRA AI

Roberta Luchsinger diz que pediu apoio a Marcola, mas não pagou, e que Lulinha é amigo antes de Lula ser

Alvo de três inquéritos da PF junto com Lulinha, filho do presidente, ela afirma que pagamentos ao ex-chefe de gabinete de Lula foram uma 'ajuda para um amigo'.

5 min de leitura
Roberta Luchsinger diz que pediu apoio a Marcola, mas não pagou, e que Lulinha é amigo antes de Lula ser

Investigada pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de tráfico de influência, a empresária Roberta Luchsinger afirma que pediu para o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoiar sua proposta sobre fornecimento de canabidiol ao governo, mas não fez pagamentos em troca desse apoio.

Lista completa

  1. sobre a tentativa de vender canabidiol ao Ministério da Saúde — caso em que são citados Marcola, o Careca do INSS com sua empresa World Cannabis e o então secretário-executivo do ministério, Swedenberger Barbosa, o Berger, contato do grupo na pasta.
  2. sobre tentativa de negócios com a Dataprev, estatal que processa dados da Previdência — caso que envolve uma outra empresa, a 3Structure, da área de tecnologia.
  3. sobre negócios em outros órgãos públicos. Não há informações sobre essa investigação até o momento.

Quem é Marcola, ex-assessor de Lula que entrou no radar da PF.

Roberta é alvo de três inquéritos da PF ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A suspeita é que eles tenham atuado para favorecer empresas junto a órgãos federais.

Até o momento, no entanto, as investigações não apontaram se algum contrato foi assinado com o poder público.

Em um dos inquéritos, a polícia investiga conversas de Roberta com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, sobre uma proposta de fornecimento de canabidiol para o Ministério da Saúde.

Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira", disse Roberta ao g1 por mensagem nesta quinta-feira (27), em sua primeira manifestação desde que as investigações vieram a público.

Roberta vinha se manifestando por meio de nota de seus advogados.

No domingo (30), o Fantástico exibirá uma reportagem sobre a empresária.

Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia 'linkar' uma coisa na outra.

Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos. Se eu sei que precisam e posso ajudar, eu ajudo", disse a empresária.

O texto previa a dispensa de licitação e direcionava o negócio para a empresa World Cannabis, pertencente ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O documento havia sido elaborado pela equipe do Careca. Nenhum contrato com o ministério foi assinado.

De acordo com Roberta, há um problema regulatório no setor de canabidiol que tem submetido pacientes a produtos importados sem um controle de qualidade, que deveria ser feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo a versão de Roberta, a minuta que ela enviou a Marcola tinha propostas para melhorar esse problema.

A principal mudança descrita no documento é administrativa e operacional: sair de sucessivas aquisições vinculadas às demandas individuais para uma estrutura de planejamento e aquisição centralizada [pelo Ministério da Saúde] de uma demanda judicial já existente e recorrente", disse.

Diante de tema tão importante, e por não haver nenhuma relação de compra e venda — até porque são demandas judicializadas —, eu gostaria sim de ter tido apoio, olhos postos sobre o tema", afirmou.

Antônio [Careca] contratou uma equipe muito competente [na World Cannabis], inclusive pessoas que foram funcionárias da Anvisa e que, após saírem, prestam serviços de consultoria altamente especializada", declarou Roberta.

Desde que seu nome foi envolvido em suspeitas, em dezembro de 2025, Roberta e seus advogados negam que ela tenha feito pagamentos a Lulinha com a finalidade de que ele abrisse as portas do Ministério da Saúde para os produtos do Careca do INSS.

Antes de haver busca e apreensão na minha casa, eu já havia manifestado que eu não tinha ideia de nada de INSS e que minha relação com Antônio [Careca] era canabidiol.

Eu fui a primeira a falar. Porque não vejo crime nenhum nisso", disse.

Em mensagens obtidas pela PF, Roberta disse ter uma sociedade com Lulinha. Questionada sobre a natureza da sociedade, ela respondeu que eles são amigos e que já tiveram "a intenção" de fazer coisas juntos.

Eu e Fábio somos amigos. Muito amigos. Renata, esposa dele, [é] minha melhor amiga. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista.

Fábio é meu amigo antes de o pai ser presidente", afirmou.

Perguntada sobre pagamentos de vantagens a Lulinha, como viagens, Roberta disse apenas que "tudo [está] muito fora de contexto.

Em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (27), Lula disse que o filho terá que responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito. Ao ser questionado sobre as mensagens atribuídas à Roberta e ao filho, declarou: "o que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone.

Segundo pessoas do PT, Roberta se aproximou do partido e de Lulinha a partir de 2017, quando Lula estava sendo processado na Lava Jato.

Em 2018, Lula foi preso e a relação dela com Lulinha se estreitou. Naquele ano, Roberta foi candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo, mas não foi eleita.

Eu poderia ter falado: 'Fábio, mostra aí para seu pai essa questão do canabidiol, como o Brasil está atrasado. Ele é meu amigo, eu poderia ter pedido. Nunca pedi.

Porque, como amiga, sei que, primeiro, ele não faria, e segundo, é algo muito técnico", disse.

Roberta também afirmou que suas mensagens com Lulinha estão sendo "distorcidas, picotadas". Por isso, seu advogado, Roberto Podval, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para retirar o sigilo das investigações e divulgar todas as conversas na íntegra, de acordo com ela.

Roberta e Lulinha são investigados em três inquéritos no STF pelos supostos crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O ministro do STF André Mendonça é o relator dos dois primeiros inquéritos. O ministro Flávio Dino, do terceiro.

Fontes consultadas

  • G1 Políticalink

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