Sob a gestão de um governador interino definido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o Rio de Janeiro vai às urnas tentando colocar fim à sequência de intervenções, decisões e apoios federais na área econômica, de segurança pública e política.
Nos últimos dez anos o estado assinou dois acordos de renegociação da dívida, recebeu uma ajuda financeira extraordinária às vésperas das Olimpíadas e teve por três vezes a atuação das Forças Armadas, sendo uma intervenção federal, na segurança pública.
A crise no estado tem relevância nacional em razão do peso econômico e político do estado, segundo maior PIB estadual e segunda maior região metropolitana em população.
A tradição do Brasil de ter o Rio de Janeiro como capital não foi destruída. Brasília, de uma maneira ou de outra, não conseguiu substituir o papel do Rio de Janeiro como capital.
Então esse tipo de investimento na capitalidade do Rio de Janeiro faz com que essa intervenção de fora seja aceita e entendida como alguma coisa da esfera natural", afirma a historiadora Marly Motta.
A sequência de atuações federais extraordinárias começou na década de 1990. Em 1994, as Forças Armadas foram mobilizadas para tentar desfazer o controle territorial das facções que, naquela época, expandiam seu poderio bélico.
Série debate o perfil político do Rio de Janeiro e desafios para sair da crise. Reportagens abordarão temas como o crime organizado, as bases lulistas e bolsonaristas e o histórico eleitoral no estado, assim como os obstáculos que os candidatos devem enfrentar.
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Desde então, foram 20 decretos de garantias da lei e da ordem, as GLOs, meio pelo qual as Forças Armadas podem ser empregadas no setor. Os militares atuaram em grandes eventos, no período de ocupação de favelas para a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), além de comandarem a intervenção federal de 2018.
A última GLO foi assinada pelo presidente Lula em 2023, para apoio no policiamento de portos e aeroportos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Foi encerrada no ano seguinte.
O orçamento fluminense também foi alvo de sucessivas renegociações de dívidas e ajudas extraordinárias. O primeiro refinanciamento foi feito pelo ex-governador Anthony Garotinho, em 1999.
Nos últimos dez anos, o estado aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal e, mais recentemente, ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.