O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa disse a Daniel Vorcaro que o Banco Master continuaria sendo dele mesmo depois de vendido para o BRB — negócio que não se concretizou porque foi barrado pelo Banco Central (BC) no ano passado.
Estava pensando em ir a SP na quinta ver o banco", diz Paulo Henrique Costa a Vorcaro em 18 de abril de 2025. A sede do extinto Banco Master ficava em São Paulo.
Vamos resolver! Quinta estarei em brasília [sic], mas vai em qualquer dia. Sinta como se fosse seu o banco", respondeu Vorcaro, acrescentando um emoji de gargalhada.
Quero ir lá com vc. Veremos o melhor dia. [...] PS: Ele NUNCA deixará de ser o SEU banco", afirmou o então presidente do BRB.
Segundo a análise da PF, "tal afirmação, com ênfase em 'NUNCA' e 'SEU', não deixa dúvidas sobre o compromisso de Paulo Henrique em servir aos interesses de Vorcaro.
Tal compromisso incluía a garantia de que o Banco Master continuaria sob controle, de fato, de Vorcaro.
O relatório da PF com a análise das mensagens detalha as conversas de Paulo Henrique Costa sobre os seis apartamentos que, segundo a investigação, ele ganharia do Master como propina.
Em outro trecho das conversas, de janeiro de 2025, Paulo Henrique envia a Vorcaro um arquivo com o acordo de confidencialidade entre o BRB e o Master visando à concretização do negócio.
Quer batizar o projeto?", pergunta Paulo Henrique ao dono do Master. "Você é o capitão", responde Vorcaro.
Pensei em Vértice, como o ponto de encontro e forças para algo novo, relevante, transformador", disse Paulo Henrique.
De fato, dentro do BRB, o projeto para a compra do Master foi batizado de Vértice.
No trecho acima, pode-se verificar ainda que Vorcaro alega que Paulo Henrique seria o 'capitão' do projeto — o qual foi nomeado 'vértice'. A passagem verifica, mais uma vez, que uma das funções de Paulo Henrique, o trabalho prestado, era o de promover a concretização da fusão entre os bancos", concluiu a PF sobre o diálogo.
Em janeiro deste ano, a PF realizou uma acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique para checar contradições nos depoimentos dados pelos dois. O foco das investigações à época eram carteiras de crédito da empresa Tirreno, que o Master vendeu ao BRB e que não possuíam lastro — ou seja, eram podres.
Na acareação, Costa disse que Vorcaro havia prometido vender carteiras do próprio Master, e não de terceiros duvidosos. Vorcaro, por sua vez, disse que sempre deixou claro que a carteira era de terceiros.
Apesar da contradição e da versão de Paulo Henrique, documentos internos do próprio BRB comprovaram, segundo a investigação, que o banco sabia da origem dos ativos comprados do Master e mesmo assim seguiu com a operação.
Paulo Henrique está preso preventivamente no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero. Ele foi presidente do BRB durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB).
Na avaliação da PF, o trecho fala "sobre a operação de aquisição do Banco Master pelo BRB, inclusive mencionando a adesão do 'governador', ou seja, Ibaneis Rocha.
O ex-governador do DF tem afirmado que confiou no trabalho de Paulo Henrique à frente do BRB. Paulo Henrique tentou assinar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não teve sucesso.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…