Mulheres eleitas vereadoras no Brasil têm mais chances de abandonar a carreira política e de nunca conseguir se reeleger, na comparação com os homens. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Brazilian Political Science Review.
A pesquisa é assinada por Lucas Gelape, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), e Débora Thomé, professora do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino Desenvolvimento e Pesquisa).
Os dois usaram dados abertos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para acompanhar a trajetória eleitoral dos 51. 478 vereadores eleitos em 2008 e nos pleitos municipais seguintes, até 2020.
Diferentemente de outros estudos sobre carreira política no Brasil, que costumam olhar apenas a eleição seguinte para concluir se um político abandonou ou não a disputa, a pesquisa de Gelape e Thomé acompanhou décadas de trajetória.
Segundo eles, olhar só o ciclo eleitoral imediato subestima tanto o abandono real como as tentativas de disputar cargos executivos mais adiante na carreira.
Os pesquisadores classificaram os vereadores eleitos em 2008 em cinco grupos: quem abandonou a disputa depois; quem tentou a reeleição sem sucesso; quem se reelegeu ao menos uma vez; quem disputou a prefeitura e perdeu; e quem venceu a disputa para o Executivo municipal.
Entre os homens, 38% se reelegeram ao menos uma vez depois de 2008. Entre as mulheres, a taxa foi de 31%. Ao comparar vereadores com perfil semelhante —mesmo tamanho de município, escolaridade, idade e ideologia partidária—, a diferença diminui, mas não desaparece.
Nesse cenário, a chance de reeleição varia de 35% a 36% entre as mulheres, contra 37% a 38% entre os homens.
Cerca de um quarto (24%) das mulheres abandonou a disputa depois de 2008, contra 20% dos homens. A proporção das que tentaram a reeleição e não conseguiram também foi maior entre elas: 27%, contra 23% entre eles.
Os pesquisadores levantam a hipótese de que a percepção de um ambiente político hostil às mulheres pode estar associada à decisão de abandonar a disputa eleitoral, embora não tratem como relação de causa e efeito.
Uma vez que você tenta e não consegue, entrar numa nova disputa é muito custoso. Elas citam essa falta de apoio nas instâncias partidárias", afirma Thomé.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.