Cifras bilionárias envolvidas, espanto e a pergunta recorrente: "Até onde isso vai chegar.
Uma década depois, o caso Banco Master faz o país viver um roteiro que tem semelhanças em parte com aquele dos tempos da Operação Lava Jato. O mais novo capítulo foi a divulgação das mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), na terça-feira (1º), atingindo junto o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A comparação entre o escândalo de agora e o de dez anos atrás tem aparecido com alguma frequência no debate político e jurídico nos últimos meses. O decano do STF, Gilmar Mendes, é um dos que veem uma repetição de abusos cometidos pelas autoridades de Curitiba, como o uso de prisões preventivas para forçar delações.
Curiosamente, alguns nomes conhecidos se repetem nos dois casos, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), até hoje às voltas com pendências da operação iniciada no Paraná, ou o ex-presidente do PSDB Marconi Perillo e o ex-ministro petista Guido Mantega, que foram processados na década passada e reapareceram agora em contratos de consultoria com o Master.
Os tentáculos de influência revelados e o jeito truculento de ação da cúpula do banco, mostrados pelas investigações, impressionam, mas basta lembrar do modus operandi da empreiteira Odebrecht, com seu departamento de propina, redes de offshores e entregadores de mala de dinheiro confessos para constatar que a ousadia não é tão inédita entre conglomerados que buscam intimidade com o poder.
A evolução e o ritmo na Justiça das investigações apresentam grandes diferenças entre o caso Master e o escândalo que ganhou o apelido de petrolão. A Lava Jato tramitou paralelamente na primeira instância e nos tribunais superiores, com inquéritos relacionados a suspeitos com foro.
Em Curitiba, as autoridades tiveram autonomia para fracionar denúncias e processos da Lava Jato logo nos estágios iniciais da operação, fazendo com que já houvesse réus condenados meses após a primeira fase da investigação, em 2014.
Para críticos, essa tática emparedou as altas instâncias do Judiciário: com resultados práticos das apurações —e sentenças já expedidas—, o custo político de anular processos ficava mais elevado.
Não é o que se vê agora com o Master, já que, até onde se sabe, não há acusações formalizadas contra os envolvidos, um ano depois de o caso estourar.
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