Dezoito grupos de extrativistas da Fazenda Nova Fronteira, no sul de Lábrea (AM), passaram a contar com um mapeamento de milhares de castanheiras-da-amazônia em trilhas de coleta.
Ferramenta indica as divisas, evita deslocamentos desnecessários dos coletores e permite chegar a árvores antes desconhecidas.
Disponível em aplicativo para celulares, mesmo sem acesso à internet, o mapa fornece a localização exata das árvores na palma da mão. Cada castanheira possui um endereço geográfico único, o que permite reduzir deslocamentos desnecessários, ampliar a área explorada e monitorar continuamente o castanhal.
O inventário das árvores foi gerado a partir da tecnologia Netflora, metodologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Acre que utiliza drones e algoritmos de inteligência artificial (IA) para identificar castanheiras e outras espécies florestais em imagens aéreas.
O inventário deu origem a um mapa no qual se inserem informações geográficas das castanheiras. Outras duas comunidades extrativistas também já utilizam a plataforma para mapear os castanhais.
Luciano Ribas, pesquisador da Embrapa Acre, explica que o objetivo principal do mapeamento digital é oferecer aos coletores uma ferramenta que ajude no planejamento da safra.
A atividade é um dos resultados do projeto Apoio à adoção de práticas sustentáveis de produção de castanha-do-brasil entre produtores do Projeto Rio Madeira, executado há 2 anos em parceria entre a Embrapa Acre, a Future Climate e a Fazenda Nova Fronteira em uma área de floresta do município amazonense.
A extrativista Maria Maia diz que aprendeu a usar o mapa em aplicativo de localização rapidamente, ao lado da irmã, Eliane Santos. Para ela, um dos maiores ganhos foi a clareza na definição das divisas das trilhas de coleta.
Maria destaca ainda a facilidade de utilização: “Como já uso bastante o celular, aprendi fácil. Quem antes coletava em cem castanheiras pode aumentar bastante esse número se as novas árvores forem produtivas.”.
Aos 53 anos e atuando como coletor há uma década, Raimundo Medeiros Sobral conta que o mapa revelou castanheiras que nem sabia que existiam.
Ex-trabalhador do manejo florestal madeireiro, ele já conhecia o uso do GPS e se adaptou prontamente à tecnologia: “Ficou muito mais fácil visualizar as áreas e organizar o trabalho da coleta.
Isso nos ajuda a manter essa atividade todo ano, durante o inverno.”.
Já o coletor Eduardo Nascimento, que percorre até 7 km por dia na floresta, usou o mapa para dimensionar sua produção.
Além de registrar o mapeamento para os coletores, a ferramenta revela a localização de outras árvores ao longo das rotas que já percorreram. Assim, os mapas digitais ampliam a área de floresta conhecida, pois mostram castanheiras que estão numa faixa de 200 metros para cada lado à margem das trilhas de coleta.
No entanto, o pesquisador ressalta que a inovação não substitui o conhecimento tradicional: “São os extrativistas que conhecem o território e validam, na prática, o que é viável executar.
Não basta ter milhares de árvores produzindo frutos se não houver braços dentro das florestas para transportar a produção”.
A pesquisadora da Embrapa Acre Cleísa Cartaxo acrescenta que, além do mapeamento, as ações do projeto ao longo de 2 anos contemplaram capacitações em Boas Práticas de Produção (BPP), com ênfase em técnicas de manejo, planejamento de rotas, prevenção de contaminação na quebra e armazenamento, além do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A produção audiovisual inclui animações sobre boas práticas, guias em vídeo sobre o uso do aplicativo e do mapa, orientações sobre o uso de EPIs e um documentário que destaca o protagonismo das mulheres coletoras na organização comunitária.
As trilhas de castanha-da-amazônia mapeadas situam-se em uma área na qual se desenvolve uma iniciativa de produção de créditos de carbono que integra o Projeto Rio Madeira REDD.
A ação alia tecnologia no campo à conservação de 52. 000 hectares de floresta entre o Amazonas e Rondônia, próximo da divisa com o Acre, em uma região conhecida como Amacro.
Ao evitar o desmatamento, o projeto prevê mitigar mais de 15 milhões de toneladas de CO₂ em 30 anos.
Para Jefferson Moreira, analista socioambiental da Future Climate, empresa responsável pela gestão dos créditos de carbono na fazenda, a tecnologia representa um avanço importante no contexto do projeto.
Ele acrescenta que, ao mapear as trilhas, os coletores ampliam o conhecimento sobre seu território e ganham maior controle sobre o trabalho.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Embrapa, em 1º de setembro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
Em números
- Já o coletor Eduardo Nascimento, que percorre até 7 km por dia na floresta, usou o mapa para dimensionar
- Ao evitar o desmatamento, o projeto prevê mitigar mais de 15 milhões de toneladas de CO₂ em 30 anos
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