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Negócios Revisado por ULTRA AI

Possível saída da Venezuela amplia crise de influência da Opep

Após a saída dos Emirados Árabes Unidos, membro fundador avalia deixar o cartel, aumentando dúvidas sobre a capacidade do grupo de sustentar sua relevância no m

5 min de leitura
Negócios — imagem padrão

A influência da Opep sobre o mercado global de petróleo, construída ao longo de décadas, enfrenta novos sinais de desgaste. A Venezuela, membro fundador da organização, tornou-se o segundo país em poucos meses a considerar uma saída do grupo.

As discussões em Caracas sobre deixar a entidade que ajudou a criar há mais de seis décadas, enquanto se aproxima cada vez mais dos Estados Unidos, podem ter impacto imediato limitado sobre a oferta global de petróleo, segundo traders de petróleo.

Ainda assim, a possível saída ocorre pouco depois da retirada dos Emirados Árabes Unidos e em meio a sinais de insatisfação do Iraque, outro membro da organização.

O movimento inevitavelmente levanta dúvidas sobre a capacidade da Opep, liderada pela Arábia Saudita, de permanecer unida e continuar influenciando os preços do petróleo.

Caso uma fragmentação se concretize, aumentam as chances de os integrantes passarem a competir entre si por clientes e participação de mercado, em uma possível repetição da breve, mas destrutiva, guerra de preços observada no início da pandemia, em 2020.

Mesmo que um conflito desse tipo seja evitado, uma Opep mais fragmentada teria consequências amplamente sentidas. O mercado perderia um agente coordenador da oferta global, responsável por intervir quando surgem excedentes de produção.

Isso tornaria os preços do petróleo mais suscetíveis a quedas e aumentaria a exposição da indústria a choques.

Venezuela considera saída da Opep em meio a negociação com EUA por campos de petróleo.

Discussões entre Caracas e Washington incluem uma possível participação americana em campos petrolíferos, enquanto o país avalia abandonar o cartel que ajudou a fundar há mais de 60 anos.

Camex aprova prorrogação de imposto de exportação de petróleo.

As medidas conflitantes tornam incerto o futuro do imposto de 12%, que está ⁠sendo ‌contestado pelas petrolíferas.

Nos últimos anos, a Opep e seus parceiros viram sua influência diminuir diante do avanço de concorrentes como os produtores de shale dos Estados Unidos, além de Brasil e Guiana.

Mais recentemente, a guerra envolvendo o Irã transformou sauditas e outros países do Golfo em meros espectadores, forçando cortes de produção. Ao mesmo tempo, a China ganhou protagonismo como agente de equilíbrio do mercado, enquanto os EUA ampliaram suas exportações.

A influência da Rússia também foi reduzida após os impactos da guerra na Ucrânia sobre suas vendas externas.

No curto prazo, a saída da Venezuela teria efeito limitado. A produção do país despencou nos últimos anos em razão das sanções e da crise econômica, o que o deixou isento dos acordos de corte de produção e do sistema de cotas da Opep.

Apesar dos planos para possíveis acordos com os EUA, não há perspectiva de uma forte expansão da produção no horizonte próximo.

No entanto, o golpe para o prestígio da organização seria significativo.

Se Caracas seguir o caminho dos Emirados Árabes Unidos, as duas saídas retirariam da Opep mais de 5 milhões de barris por dia em capacidade produtiva, o equivalente a cerca de 17% da capacidade dos membros centrais do grupo no início deste ano.

Além disso, a Venezuela detém algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, que poderiam ser desenvolvidas nas próximas décadas com o apoio das grandes petroleiras americanas.

O país também é amplamente reconhecido como o principal articulador da criação da Opep, em 1960, graças aos esforços diplomáticos de Juan Pablo Pérez Alfonzo, então ministro do Petróleo venezuelano.

Nem o secretariado da Opep, sediado em Viena, nem o Ministério da Energia da Arábia Saudita responderam aos pedidos de comentário.

A saída dos Emirados Árabes Unidos não é um caso isolado. Abu Dhabi anunciou sua retirada no fim de abril, após anos de frustração com os limites de produção impostos pela organização, que restringiam o uso de sua capacidade recém-ampliada.

Antes dos Emirados, outros quatro países deixaram a Opep na última década, incluindo Angola, cuja saída em 2024 foi marcada por forte desgaste.

O Iraque, que há muito tempo resiste às restrições impostas pela organização, também começou a demonstrar insatisfação após a saída dos Emirados. Em junho, Bagdá alertou que poderia considerar deixar o grupo caso não obtenha um limite maior de produção em uma auditoria sobre a capacidade dos membros.

A revisão deve ser concluída no fim do próximo mês.

Enquanto o conflito envolvendo o Irã mantém grandes volumes de produção paralisados na Arábia Saudita, no Iraque e no Kuwait, a margem de atuação da Opep permanece reduzida.

Esse cenário, porém, pode mudar caso a guerra seja resolvida. Projeções de instituições como a Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que o mercado global poderá entrar em situação de excesso de oferta se os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico forem plenamente retomados, com risco de uma superoferta já em 2027.

Segundo ele, a redução do número de membros e dos volumes representados pelo grupo significa que sua influência sobre o mercado mundial está diminuindo. “Os Estados Unidos ganham relevância do lado da oferta, enquanto a China emerge cada vez mais como um ator decisivo do lado da demanda.”.

Se a Opep+, grupo ampliado que inclui a Rússia, precisar reduzir novamente a produção para equilibrar o mercado, a pressão recairá cada vez mais sobre a Arábia Saudita, líder de fato da aliança.

Ainda não está claro, porém, até que ponto o reino estará disposto a continuar assumindo esse papel.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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