Ir para o conteúdo
Negócios Revisado por ULTRA AI

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Empresa afirma que continuará operando normalmente durante o processo; pedido ocorre após tentativa de recuperação extrajudicial em 2024 e três anos de reestrut

5 min de leitura
Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.

🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça.

O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas.

Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.

A empresa informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, sem interrupções relevantes para os consumidores.

Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.

O pedido de recuperação judicial é o desfecho de um processo de reestruturação iniciado há cerca de três anos.

Segundo a petição à qual o g1 teve acesso, a companhia lançou, em meados de 2023, um Plano de Transformação para reduzir custos, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a geração de caixa.

Na primeira etapa, foram fechadas 55 lojas consideradas deficitárias até o fim daquele ano, além da redução de aproximadamente 8. 600 postos de trabalho.

No entanto, segundo a companhia, o cenário econômico continuou desfavorável.

Em agosto de 2026, já durante a segunda fase do plano de transformação, a empresa promoveu uma nova rodada de cortes, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas.

Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas. A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para preservar esses empregos e garantir a continuidade das operações.

Em comunicado ao mercado, a Casas Bahia afirmou que o pedido foi motivado pelo agravamento do cenário econômico, marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa.

Além disso, a empresa informou que não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas essenciais para reforçar sua liquidez.

No balanço divulgado na véspera do pedido de recuperação judicial, a companhia revelou que, entre o fim de 2025 e o primeiro semestre de 2026, realizou reuniões com investidores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em busca de novas fontes de financiamento, incluindo uma possível oferta de ações.

Também negociava uma operação de grande porte com investidores internacionais, considerada estratégica para seu planejamento financeiro.

Segundo a empresa, a operação acabou não sendo concluída após a desistência do investidor âncora. Outras alternativas de liquidez, como empréstimos-ponte e novas linhas de crédito, também não avançaram.

Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações", afirmou a empresa.

Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial inclui outras empresas do grupo.

ASAP Log – Logística e Soluções Ltda. ASAP Log Ltda. CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda. Cntlog Express Logística e Transporte Ltda. Globex Administração e Serviços Ltda.

Cnova Comércio Eletrônico S. A. Integra Soluções para Varejo Digital Ltda. Casas Bahia Tecnologia Ltda. Indústria de Móveis Bartira Ltda. Prejuízo bilionário antecedeu o pedido.

O pedido de recuperação judicial foi anunciado um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026.

🔎 Entre esses ajustes estão a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava utilizar no futuro, a reserva de recursos para cobrir possíveis disputas e obrigações contratuais, a reavaliação do valor de ativos, como lojas e outros bens, e despesas ligadas ao processo de reorganização da companhia.

A companhia também informou que aumentou a geração de caixa, reduziu a dívida líquida e alongou o prazo de vencimento da maior parte de seus financiamentos.

No mesmo dia em que anunciou o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia também comunicou mudanças na alta administração.

O vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, deixou o cargo após atuar na companhia desde 2024. Segundo a empresa, ele continuará prestando consultoria durante o processo de reestruturação.

Para substituí-lo, foi nomeada Sírley Lima, executiva com mais de 20 anos de experiência e passagens por empresas como Heineken, Pernod Ricard, Souza Cruz e EY.

A empresa também informou a saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón. Com isso, Cláudia Quintella Woods passa a integrar o Comitê de Auditoria Estatutário, enquanto André Luiz Helmeister assume uma vaga no Comitê de Finanças.

Mesmo deixando o Conselho de Administração, Jackson Schneider permanecerá à frente dos comitês de Auditoria, Riscos, Compliance e Investigação da companhia.

Em números

  • Segundo a petição, o grupo emprega atualmente mais de 20 mil pessoas
  • Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial para renegociar dívida de R$ 17,3 bilhões

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Economialink

Leia também

Mais em Negócios