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Bancos reforçam visão de El Niño favorecendo elétricas; confira preferidas de 2 casas

Bancos revisam projeções para o setor após balanços do segundo trimestre e reforçam visão positiva para distribuidoras expostas ao aumento do consumo de energia

5 min de leitura
Negócios — imagem padrão

As distribuidoras e geradoras de energia elétrica listadas na B3 devem registrar uma combinação favorável de aumento da demanda por energia e perspectivas de crescimento de volume impulsionadas pelo fenômeno El Niño, segundo análises recentes do Goldman Sachs e do Bradesco BBI.

Apesar das preocupações com juros elevados e alguns sinais de pressão sobre custos, as duas casas mantiveram uma visão construtiva para parte relevante do setor.

Os relatórios foram divulgados após a temporada de resultados do segundo trimestre e incorporam novos cenários macroeconômicos, revisões regulatórias e expectativas para o consumo de energia nos próximos meses.

O principal ponto em comum é a avaliação de que temperaturas acima da média deverão impulsionar a demanda por eletricidade até o início de 2027.

Para o Bradesco BBI, Equatorial (EQTL3) e Energisa (ENGI11) estão entre as empresas mais beneficiadas pelo aumento esperado do consumo de energia decorrente do El Niño.

O banco elevou suas projeções para o crescimento de volume no segundo semestre e passou a estimar avanço de cerca de 7,5% nas vendas de energia da Equatorial e de aproximadamente 9% na Energisa no período.

O Goldman Sachs segue a mesma linha, apontando projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) que o crescimento da demanda entre 5% e 9% na segunda metade de 2026, acima das estimativas anteriores do mercado.

O banco calcula que cada aumento de 1 ponto percentual no crescimento da carga pode elevar o Ebitda das distribuidoras em cerca de 1,3%, em média.

Primeiro turno, e não o vencedor, costuma ditar reação dos mercados, diz Bradesco BBI.

Análise dos últimos cinco ciclos presidenciais mostra que surpresas nas urnas e a composição do Congresso tendem a ter mais impacto sobre Bolsa, dólar e juros do que o resultado final das eleições.

Por outro lado, temperaturas mais elevadas também podem pressionar custos operacionais com manutenção e qualidade da rede, especialmente nas distribuidoras. Esse movimento já começou a aparecer nos resultados do segundo trimestre.

Entre as distribuidoras, Equatorial permanece como uma das principais recomendações das duas instituições.

Segundo o banco, a ação precifica uma taxa interna de retorno real próxima de 11,5%, considerada atrativa para o setor.

Já o Goldman Sachs manteve recomendação de compra e considera a empresa sua opção preferida no segmento de distribuição. Os analistas destacam a qualidade da alocação de capital da companhia e avaliam que a recente pressão sobre as ações está mais ligada ao ambiente de juros elevados e à alavancagem relativamente alta, próxima de quatro vezes dívida líquida sobre Ebitda, do que a problemas operacionais.

A Energisa também continua bem avaliada, embora tenha sofrido revisões negativas de estimativas após um segundo trimestre mais fraco que o esperado.

O Bradesco BBI, por sua vez, manteve recomendação neutra, mas ressaltou que o aumento esperado da demanda tende a beneficiar os resultados da empresa ao longo dos próximos trimestres.

Outro tema acompanhado de perto pelos investidores é a remuneração regulatória das distribuidoras.

O Bradesco BBI destacou que a Aneel decidiu deixar para 2028 ou 2029 uma eventual revisão da metodologia do WACC regulatório, indicador que influencia diretamente o retorno permitido das distribuidoras.

A decisão reforça a visão conservadora do banco, que continua trabalhando com uma redução gradual desse parâmetro nos próximos anos.

Segundo os analistas, caso a metodologia atual seja mantida, o WACC regulatório pode cair dos atuais 8,1% para níveis próximos de 7% até o fim da década, tornando mais importante a busca por ganhos de eficiência operacional pelas empresas.

Axia, Sabesp e Copel entre os preferidos.

Além das distribuidoras, o Goldman Sachs destacou outras oportunidades no setor de utilities.

Entre as geradoras, a principal recomendação continua sendo Axia (AXIA3), com o Goldman vendo potencial de alta de cerca de 28%, apoiado por preços de energia mais elevados, crescimento da demanda e expectativa de remuneração robusta aos acionistas.

A Sabesp (SBSP3) também segue entre as favoritas. O Goldman reduziu estimativas para 2027 devido à revisão tarifária prevista para este ano, a recomendação de compra foi mantida, mas considera a recente queda das ações como ponto de entrada atrativo e destaca a possibilidade de captura de valor adicional com projetos relacionados à universalização do saneamento.

A Copel (CPLE3) completa a lista de preferências, sustentada por perspectiva de aumento da remuneração aos acionistas e oportunidades de crescimento consideradas destravadoras de valor.

Cemig e Engie continuam sendo as menos preferidas.

Na ponta oposta, o Goldman manteve recomendação de venda para a Cemig (CMIG4), apesar dos resultados melhores no segundo trimestre. Na visão dos analistas, o desconto das ações não é suficiente para compensar as limitações associadas ao controle estatal.

A Engie Brasil (EGIE3) também segue com recomendação de venda. O banco avalia que o potencial de valorização é limitado diante da ausência de gatilhos relevantes de crescimento e da menor atratividade relativa frente a outros nomes da cobertura.

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Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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