Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial.
As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1.
Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos.
A desvalorização aconteceu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo.
Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi causada por uma combinação de fatores, entre eles.
aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico;impacto da pandemia sobre as lojas físicas;forte alta dos juros a partir de 2021;aumento do custo das dívidas;queda do consumo das famílias e maior inadimplência.
Segundo a companhia, os juros elevados atingiram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes.
Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras.
Plano de reestruturação não foi suficiente.
Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8. 600 postos de trabalho, corte de investimentos e diminuição dos estoques.
No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa.
Mesmo assim, afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada.
No pedido de recuperação judicial a qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas.
Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas.
Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S. A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, adotando o ticker BHIA3.
O Grupo Casas Bahia anunciou, na noite de domingo (16), o protocolo de um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.
O pedido foi apresentado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais, e ainda precisará ser ratificado por acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.
Segundo a empresa, o cenário de juros elevados, restrição ao crédito e queda no consumo comprometeu sua capacidade de gerar caixa.
A companhia tentou captar recursos ao longo do último ano e meio — incluindo negociações com investidores no Brasil, EUA e Europa e uma possível oferta de ações —, mas a operação mais estratégica não avançou após a desistência do investidor âncora.
Outras alternativas, como empréstimos-ponte, também não se concretizaram.
Prejuízo bilionário no 2º trimestre.
A empresa comunicou a saída do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina (substituído por Sírley Lima), além da saída dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón do Conselho de Administração.
Este último permanece à frente de comitês internos da companhia.
Em números
- Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas
- Ações da Casas Bahia despencam na Bolsa e passam de mais de R$ 400 para centavos em cinco anos
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Negócios, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.