Com a LUX Tour 2026, a cantora catalã se apresenta na Farmasi Arena nesta segunda, 10, e terça, 11, trazendo ao Brasil um espetáculo dividido em atos, com orquestra ao vivo, balé, botafumeiro e um confesionário.
Rosalía chega ao Brasil nesta segunda, 10 de agosto, para as duas únicas apresentações da LUX Tour 2026 no país, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro. O segundo show acontece na terça, 11.
Essa não é a primeira vez que a artista catalã passa por aqui, ela se apresentou no Lollapalooza Brasil 2023, mas é a primeira vez que o público brasileiro vê Lux (2025) ao vivo, o álbum mais ambicioso de sua carreira.
A escolha do Rio não é aleatória, já que, meses antes do início da turnê, Rosalía fez uma audição exclusiva do disco no Cristo Redentor, transformando a apresentação do trabalho em um gesto afetivo com a cidade que agora vai recebê-la.
Lux, lançado em novembro de 2025, é o quarto álbum de estúdio de Rosalía — e talvez o projeto mais difícil de classificar de toda a sua trajetória. A religiosidade é o tema central: ao longo das faixas, ela reflete sobre a relação com Deus, o mistério da vida e o amor, a partir de uma perspectiva feminina.
As canções são orquestradas como peças sinfônicas, mas dialogam com o que o pop eletrônico tem de mais avançado. O resultado é um disco cantado em 13 idiomas, incluindo o português, com sotaque lusitano, no fado “Memória”, recheado de referências a santas medievais, à monja beneditina Hildegard von Bingen, à mística Santa Teresa de Ávila e ao pintor espanhol do século XVIII Francisco de Goya.
Se Motomami (2022) era cinético e minimalista, Lux é barroco e operístico — e exige entrega total de quem ouve. Público e crítica internacional classificaram o disco como “um dos mais ambiciosos da história da música pop”, e o show que o acompanha tem deixado queixos caídos em arenas pelo mundo.
O show da LUX Tour é, acima de tudo, teatral. Dividido em quatro atos, com um intermezzo entre o terceiro e o quarto, ele mistura balé clássico, ópera, cenas de cabaré, elementos religiosos e pop eletrônico, em uma experiência que desafia qualquer categorização.
A coreografia foi desenvolvida em parceria com Dimitris Papaioannou, o mesmo diretor responsável pela cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2004, em Atenas. Os figurinos, assinados pelo estilista José Carayol, alternam o branco imaculado com o preto absoluto, buscando uma linguagem monacal e mística, em ruptura total com a estética de Motomami.
A apresentação começa com Rosalía saindo de dentro de uma enorme caixa branca vestida com um tutu, como uma bailarina de caixinha de joias, e esse é apenas o primeiro de muitos momentos que definem o espetáculo.
No meio da pista, a Heritage Orchestra, conjunto britânico que acompanha a artista em toda a turnê, reproduz os arranjos ao vivo enquanto ela se apresenta em um palco em formato de cruz.
O segundo ato, construído em torno de “Berghain”, é o mais comentado: Rosalía surge com chifres demoníacos de plumas negras e conduz uma coreografia que remete diretamente a El Aquelarre (1798), quadro de Goya em que figuras se reúnem ao redor de um bode que representa o Diabo.
Há também um confesionário no palco, onde Rosalía recebe uma convidada-surpresa para confissões sobre amor e sexo. Em Nova York, a eleita foi Maggie Rogers. No Brasil, a surpresa fica para a noite.
Além disso, há um botafumeiro como elemento cênico e uma câmera que convida o público a recriar poses de pinturas famosas — de Munch a Van Gogh —, tornando a plateia parte do espetáculo.
A primeira passagem de Rosalía pelo Brasil aconteceu no Lollapalooza 2023, quando ela trouxe a era Motomami ao Autódromo de Interlagos. O show foi um dos mais comentados daquela edição e abriu um vínculo com o público brasileiro, que se aprofundou no fim de 2025, quando ela veio especialmente ao Rio de Janeiro para uma audição exclusiva de Lux para um grupo de convidados.
A cidade foi a única da América Latina a receber esse gesto antes do lançamento oficial do disco. Agora, com a turnê chegando à Farmasi Arena, o Rio volta a ser ponto de encontro entre Rosalía e o Brasil, desta vez com o espetáculo completo.
Para o Brasil, a maior expectativa está na possibilidade de “Memória” — a única faixa de Lux cantada em português — entrar no repertório. A música não costuma aparecer nas apresentações da turnê, mas Rosalía a incluiu nos shows em Portugal.
Com a relação afetiva que ela mantém com o Rio de Janeiro desde a audição do álbum no Cristo Redentor, fãs torcem para que ela repita o gesto aqui.
Além do repertório de Lux, o show traz versões retrabalhadas de clássicos de Motomami, como “Saoko”, “Bizcochito” e “Despechá”, que garantem momentos de festa em meio ao drama operístico.
O equilíbrio entre a grandiosidade cênica e a leveza do pop é uma das marcas mais impressionantes do espetáculo: Rosalía passa do choro ao sorriso, da ópera ao dancefloor, sem que nada soe forçado.
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Fontes
Informação baseada em material público de Rolling Stone Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.