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Mundo Revisado por ULTRA AI

Vitória da extrema direita em estado da Alemanha envia sinal à Europa

Resultado da AfD na Saxônia-Anhalt reforça desgaste dos partidos tradicionais

5 min de leitura
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Quando um partido de extrema direita obteve uma vitória esmagadora no domingo (6) em um pequeno estado do leste da Alemanha, suas repercussões puderam ser sentidas da Downing Street, em Londres, até o Palácio do Eliseu, em Paris.

Raras vezes o resultado de uma eleição regional foi visto como um presságio tão importante para o destino da democracia na Europa.

Não se trata de um país europeu qualquer —é a Alemanha, que desde a calamidade do nazismo tem afastado de forma implacável os partidos políticos de extrema direita.

E tampouco é apenas um caso isolado e estranho, mas o passo mais recente de uma marcha constante, ao longo de uma década, que levou a extrema direita cada vez mais perto do centro do poder na Europa.

Com eleições marcadas em toda a Europa para o próximo ano, o êxito impressionante do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) pode ser um prenúncio de novas vitórias da extrema direita, segundo analistas, além de servir de modelo para a maneira de construí-las.

Sua mensagem populista e anti-imigração ecoa as de líderes nacionalistas no Reino Unido, na França, na Itália e na Espanha, países onde os eleitores nutrem muitas das mesmas insatisfações dos alemães.

Os franceses elegerão um novo presidente em 2027. A Espanha deverá realizar eleições até agosto, e a Itália, até o fim do próximo ano. Em todos esses países, candidatos de extrema direita estão avançando, ameaçando os governantes no poder, responsabilizados por problemas sistêmicos nas economias nacionais.

A Europa desenvolvida atravessa uma versão sofisticada de falência do Estado", disse Mujtaba Rahman, analista especializado em Europa do Eurasia Group, consultoria de risco político.

Os governos não conseguem responder às preocupações com o custo de vida. Não conseguem entregar resultados aos eleitores.

Na Alemanha, a alta dos preços e o elevado desemprego ajudaram o partido de extrema direita a conquistar mais que o dobro dos votos do partido de centro-direita do premiê Friedrich Merz.

Como a AfD parece ter ficado pouco abaixo da maioria absoluta, de acordo com resultados quase definitivos, talvez não acabe governando a Saxônia-Anhalt, estado onde ocorreu a eleição.

Partidos rivais prometeram não formar um governo de coalizão com a AfD, cujos líderes já usaram slogans nazistas e minimizaram o Holocausto.

A inteligência alemã classifica a AfD como grupo extremista —"comprovadamente" em alguns estados e "sob suspeita" em outros—, em parte porque a legenda retrata alemães de origem imigrante como cidadãos de segunda classe.

Ainda assim, o resultado pode enfraquecer Merz caso integrantes de seu partido o responsabilizem pela derrota, em um momento em que a liderança da Alemanha na Europa já vinha perdendo força.

A posição de Merz se deteriorou a tal ponto que analistas políticos falam abertamente em sua destituição, hipótese antes considerada remota na política alemã.

É uma grande preocupação na Europa", disse Rahman, que anteriormente trabalhou no funcionalismo público da União Europeia. "Uma Alemanha fraca, com um premiê perdendo o controle e obrigado a lidar com problemas internos, é algo ruim e, em última análise, reduzirá a capacidade da Europa de enfrentar seus desafios.

As preocupações dos centristas com a França, onde o presidente Emmanuel Macron deixará o cargo em 2027, não são menores. Marine Le Pen, candidata do principal partido de ultradireita francês, a Reunião Nacional, mantém ampla liderança nas pesquisas de primeiro turno e chegou a ficar em primeiro lugar em simulações recentes de segundo turno.

Isso a deixa mais perto do poder do que em qualquer outro momento dos 14 anos em que vem disputando a Presidência.

Um governo de ultradireita em Paris, disse Rahman, desestabilizaria a União Europeia de uma forma que nenhuma outra eleição nacional conseguiu, dado o tamanho da França, seu arsenal nuclear e seu papel fundador no projeto europeu.

Também poderia pôr fim ao chamado cordão sanitário, pelo qual os partidos tradicionais da França, assim como os da Alemanha, recusam-se a integrar coalizões de governo com a extrema direita.

Nos dois países, a frente antifascista que prevaleceu desde o fim da Segunda Guerra Mundial parece estar à beira do colapso", disse Philippe Marlière, professor de política francesa e europeia da University College London.

Na Espanha, analistas disseram que o partido de ultradireita Vox pode abrir caminho à força para integrar o próximo governo de coalizão, enquanto o atual governo liderado pelos socialistas está desgastado por escândalos de corrupção e por uma crise migratória.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista, que está no poder, afastou em julho seu impopular primeiro-ministro, Keir Starmer, na tentativa de recuperar terreno diante da rápida ascensão de um partido de ultradireita, o Reform UK.

Em abril, o líder da Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán, foi varrido do poder após 16 anos, vítima da percepção generalizada de que seu governo era corrupto, negligenciava a economia e comprava brigas desnecessárias com a União Europeia.

A derrota de seu partido, o Fidesz, deu esperança aos políticos tradicionais de que a ultra e a extrema direita também são vulneráveis.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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