O presidente Trump sugeriu, no domingo (6), que o Novo México deveria ser rebatizado como "Nova América", provocando uma rápida reação dos líderes democratas do estado à sua mais recente tentativa de imprimir uma marca americana a nomes geográficos.
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Nas redes sociais, Trump compartilhou a imagem de um mapa do Novo México no qual a palavra "México" aparecia riscada com um X vermelho e substituída por "América.
Pouco depois, a Casa Branca republicou a imagem em sua conta oficial no X.
Horas depois, o presidente publicou o que parecia ser um vídeo gerado por inteligência artificial no qual ele colocava uma etiqueta com a palavra "América" sobre "México" em uma placa de estrada com a inscrição "Bem-vindo ao Novo México.
Trump não tem autoridade legal para mudar o nome de nenhum estado —no caso do Novo México, o nome está previsto em sua Constituição. Qualquer proposta de alteração teria de partir do próprio estado, uma possibilidade que os líderes democratas do Novo México rejeitaram enfaticamente no domingo.
O nome do Novo México não está em discussão —ele é nosso desde antes de os Estados Unidos existirem", escreveu a governadora Michelle Lujan Grisham nas redes sociais.
A deputada Melanie Stansbury foi mais direta: "Nem pensar!", escreveu no X, acrescentando: "O nome do nosso estado carrega gerações de história, cultura e família —e pertence a nós.
As origens do nome Novo México são anteriores à fundação dos Estados Unidos. No século 16, os mexicanos chamavam o território ao norte e a oeste do Rio Grande de "Novo México", segundo o Escritório de Assuntos Indígenas.
O nome do estado também está inscrito no Artigo 1º de sua Constituição: "O nome deste estado é Novo México, e seus limites são os seguintes", diz a primeira página.
Os dois senadores democratas do Novo México também reagiram à publicação de Trump. "Três coisas que sempre chamarei por seus nomes verdadeiros...", escreveu o senador Martin Heinrich no X, antes de listar o Golfo do México, o lago Ontário e o Novo México.
No dia em que retornou ao cargo, no ano passado, Trump assinou um decreto orientando o governo federal a mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América. O nome "soa muito bem", disse o presidente naquele mês.
No mês passado, em meio à escalada de uma disputa comercial com o Canadá, Trump assinou outro decreto para mudar o nome do lago Ontário para lago América. Dias antes de assinar o decreto, o presidente havia publicado a imagem de um mapa no qual lago Ontário aparecia riscado com um X vermelho, além de um vídeo gerado por inteligência artificial em que ele substituía uma placa com o nome lago Ontário por outra com a inscrição "lago América.
Esses decretos, no entanto, tratavam de acidentes geográficos, e não do nome legal de um estado. As mudanças foram implementadas por meio do Sistema de Informações de Nomes Geográficos do governo federal e se aplicam apenas ao uso federal, inclusive em mapas e documentos, mas não obrigam governos estaduais e locais nem empresas privadas de cartografia.
Rhode Island oferece um exemplo recente de como o processo para alterar o nome legal de um estado pode ser diferente. Em junho de 2020, em meio a protestos nacionais contra o racismo sistêmico após a morte de George Floyd, o estado tomou medidas para retirar "and Providence Plantations" de seu nome oficial.
A governadora Gina Raimondo, democrata, determinou que a expressão fosse removida de documentos e sites do Poder Executivo, ao mesmo tempo que reconheceu que a mudança do nome oficial do estado exigia que os eleitores aprovassem uma emenda à Constituição de Rhode Island.
Os eleitores aprovaram a alteração naquele outono.
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