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Rússia retoma ataques contra Kiev após três dias de trégua

Explosões na madrugada espalham fumaça e incêndio pela capital ucraniana

3 min de leitura
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A Rússia retomou nesta terça-feira (8) seus ataques aéreos contra Kiev, deixando pelo menos dois mortos e sete feridos, após uma suspensão de três dias por ocasião de uma visita sem precedentes de enviados dos Estados Unidos.

Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões durante a madrugada na capital ucraniana e observaram colunas de fumaça, além do clarão de um incêndio.

O alerta aéreo de mísseis, acionado durante a noite juntamente com a ordem para que a população se dirigisse aos abrigos, foi suspenso no início da manhã. O Exército da vizinha Polônia também colocou sua Força Aérea em alerta.

Segundo um balanço provisório da administração militar local, pelo menos duas pessoas morreram e sete ficaram feridas. Houve danos em edifícios de vários distritos da cidade e de seus arredores, informaram as autoridades.

Esse ataque russo é o primeiro contra Kiev em três noites, após o fim de uma trégua recíproca anunciada por Moscou e Kiev durante a visita dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner às duas cidades.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, criticou o fato de a Rússia ter lançado o ataque logo após a partida dos representantes do presidente Donald Trump.

Assim que os enviados de paz do presidente dos Estados Unidos partiram, Putin lançou outro ataque maciço e terrível contra Kiev, atingindo áreas residenciais e matando pelo menos duas pessoas", afirmou Sibiga nas redes sociais, referindo-se ao presidente russo, Vladimir Putin.

Seus mísseis balísticos falam mais alto do que suas palavras no campo diplomático", acrescentou.

Witkoff avaliou na segunda-feira (7) que a viagem havia proporcionado conversas "significativas" com vistas à organização de negociações trilaterais para pôr fim ao conflito desencadeado pela invasão russa de fevereiro de 2022.

O presidente Trump está trabalhando arduamente para deter a matança e alcançar uma paz duradoura", afirmou na rede social X.

Segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, citado pelo veículo americano Axios, Putin informou aos enviados de Washington que está disposto a iniciar negociações com vistas a uma "desescalada" neste inverno.

Isso poderia resultar na suspensão, por ambos os lados, dos ataques contra setores estratégicos.

Há ideias relacionadas à energia, aos cereais, à eletricidade, assim como ao petróleo e ao gás", declarou Zelenski ao portal de notícias.

Putin "precisa de Trump" e não quer "irritá-lo", sobretudo antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, no início de novembro, avaliou o presidente ucraniano.

Witkoff e Kushner reuniram-se no sábado com o presidente russo em Moscou e, posteriormente, viajaram pela primeira vez a Kiev no domingo, onde se encontraram com Zelenski.

Representantes europeus —franceses, britânicos e alemães— participaram dessas negociações no domingo, em Kiev.

Na segunda-feira, o Kremlin anunciou que "não descarta" a retomada das conversas trilaterais, embora o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, tenha afirmado que "ainda é cedo demais para falar sobre o local e as datas exatas.

Nas negociações anteriores, Moscou e Kiev mantiveram, de modo geral, suas posições, e as discussões ficaram paralisadas especialmente em torno da questão dos territórios do leste da Ucrânia, cuja anexação é reivindicada pela Rússia.

O presidente ucraniano afirmou no Facebook que se preparava ativamente para novas negociações. "As propostas da Ucrânia são construtivas e sempre serão", assegurou.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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