O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) que determinou a preparação de medidas legais para ampliar o direito de produtores rurais e pecuaristas americanos processarem a própria produção de alimentos.
Em publicação nas redes sociais, Trump voltou a atacar a concentração da indústria de processamento de carnes nos Estados Unidos e afirmou que os produtores enfrentam há anos dificuldades na relação com as quatro maiores empresas do setor.
O presidente americano destacou que são essencialmente quatro grandes companhias dominando o setor e classificou esse número como insuficiente para garantir competição.
Trump afirmou ainda que parte relevante do controle dessas companhias está fora dos Estados Unidos. Entre as chamadas “Big Four” do processamento de carne bovina no país estão Tyson Foods, Cargill, JBS USA e National Beef.
As duas últimas têm controle brasileiro: a JBS USA pertence à JBS, enquanto a National Beef é controlada pela MBRF. As quatro empresas respondem, juntas, por cerca de 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos.
Segundo o presidente, a mudança deve avançar rapidamente. O que Trump pretende mudar Como já noticiado pela CNN, produtores americanos já podem abater animais para consumo próprio.
A questão central está na possibilidade de comercializar carne processada fora de estabelecimentos submetidos à inspeção federal, especialmente quando o produto é vendido para consumidores, restaurantes e varejistas ou atravessa as fronteiras estaduais.
A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, indicou que o governo prepara mudanças para reduzir entraves regulatórios e ampliar as possibilidades de venda entre Estados por pequenos produtores e processadores.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) A iniciativa amplia a pressão da Casa Branca sobre a indústria frigorífica. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já investiga possíveis práticas anticompetitivas no mercado de gado e carne bovina.
O movimento ocorre ainda em um momento de pressão sobre os preços da carne nos Estados Unidos e de atrito entre Trump e pecuaristas americanos. O governo anunciou recentemente medidas para ampliar temporariamente a entrada de carne bovina estrangeira no país, numa tentativa de reduzir os preços pagos pelos consumidores.
A decisão provocou reação de entidades de pecuaristas, que argumentam que o aumento das importações pode pressionar os preços recebidos pelos produtores americanos justamente em um momento de custos elevados e de necessidade de recomposição do rebanho.