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OIT alerta que El Niño ameaça emprego de trabalhadores na América Latina

Estudo da agência da ONU destaca que fenômeno climático poderá piorar as condições de trabalho, afetando os mais vulneráveis, como os informais e os empregados

4 min de leitura
OIT alerta que El Niño ameaça emprego de trabalhadores na América Latina

Estudo da agência da ONU destaca que fenômeno climático poderá piorar as condições de trabalho, afetando os mais vulneráveis, como os informais e os empregados em áreas rurais.

Entre as medidas para reduzir os impactos laborais, estão fortalecimento dos sistemas de proteção social e desenvolvimento de alerta precoce.

O fenômeno El Niño de 2026–2027 poderá afetar negativamente o emprego, reduzir a renda dos trabalhadores e piorar as condições laborais na América Latina e no Caribe.

Os trabalhadores informais, rurais e aqueles que atuam ao ar livre seriam os mais afetados. É o que diz uma nova pesquisa divulgada pela Organização Internacional do Trabalho, OIT.

O estudo mostra como as alterações nos padrões de precipitação associadas ao fenômeno repercutem sobre a agricultura, a pesca, a energia, a logística e outros setores econômicos.

Também destaca as possíveis consequências disso no emprego, na insegurança alimentar, no aumento dos preços dos alimentos e da energia e no maior risco de trabalho infantil.

De acordo com Fabio Bertranou, diretor-regional adjunto da OIT para a América Latina e o Caribe, o El Niño 2026–2027 representa um importante desafio na região.

Ele afirma também que a magnitude de seu impacto dependerá da capacidade dos países de se anteciparem, com instituições de trabalho sólidas, sistemas de proteção e diálogo social capazes de proteger as pessoas mais vulneráveis.

O estudo “El Niño 2026–2027 e o mundo do trabalho na América Latina e no Caribe: uma cadeia de causalidade do clima ao emprego e às instituições trabalhistas” sustenta que os impactos do fenômeno não estão predeterminados.

Embora as consequências variem de acordo com a sub-região, o setor produtivo e a capacidade institucional de cada país, existe mais exposição à perda de renda, à deterioração das condições de trabalho e aos riscos para a segurança e a saúde.

A análise da OIT também alerta que os efeitos do El Niño poderiam agravar a insegurança alimentar, gerar pressões inflacionárias em razão do aumento dos preços dos alimentos e da energia.

Além disso, podem afetar a produtividade e elevar o risco de trabalho infantil entre os lares mais vulneráveis, como consequência da deterioração de seus meios de subsistência.

A publicação identifica que os impactos na América Latina e no Caribe poderiam ser diferentes em cada parte da região. O Caribe e o norte da América do Sul, por exemplo, poderão enfrentar, principalmente, secas, déficit hídrico e ondas de calor.

Já a costa do Pacífico do Equador e do Peru poderia ser afetada por chuvas extremas e inundações. E o sudeste da América do Sul, por precipitações acima da média e tempestades severas.

O estudo destaca que essas diferenças se traduzem em riscos distintos para setores como agricultura, pesca, construção, logística, transporte, turismo e geração de energia.

De acordo com o estudo, os elevados níveis de informalidade na região aumentam a vulnerabilidade diante desses fenômenos. Isso porque quase metade das pessoas ocupadas na América Latina e no Caribe trabalha na economia informal, com acesso limitado a mecanismos de proteção diante de crises climáticas.

Como consequência, os impactos sobre o emprego e a renda poderão se concentrar justamente entre aquelas pessoas que dispõem de menos recursos para enfrentá-los.

Diante desse cenário, a OIT destaca que a antecipação é fundamental para reduzir os impactos do fenômeno sobre o mundo do trabalho.

Entre as medidas prioritárias, a agência aponta o fortalecimento dos sistemas de proteção social, a ampliação da cobertura para trabalhadores vulneráveis, o investimento em infraestrutura resiliente, o fortalecimento da segurança e saúde no trabalho, o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce e a promoção do diálogo social para construir respostas adaptadas às necessidades de cada país e setor produtivo.

A publicação alerta para compreender o El Niño não apenas como um fenômeno meteorológico, mas como um processo cujos efeitos podem se propagar do clima ao emprego e às instituições do trabalho.

Compreender essa cadeia causal é fundamental para antecipar riscos e formular políticas que protejam o trabalho decente na região.

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra. Texto produzido com informações da OIT.

O fenômeno El Niño está colocando milhões de vidas em risco no leste e sul da África, mas a ONU está garantindo que as comunidades estejam mais bem preparadas para lidar com seus impactos.

Fenômeno climático causará efeitos até 2027, incluindo o comprometimento de colheitas; maiores impactos são esperados em partes da América Central e do sul da África; seca, inundações e temperaturas extremas já estão colocando comunidades em risco.

Fontes

Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

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