Os eleitores de Minnesota, Wisconsin, Connecticut e Vermont vão às urnas nesta terça-feira (11) para mais uma rodada das primárias que definirão os candidatos dos partidos Democrata e Republicano ao Senado e à Câmara dos Representantes nas eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos.
Já na Carolina do Sul, haverá uma primária especial para escolher o candidato republicano à vaga no Senado deixada pela morte recente de Lindsey Graham. No Alabama, por sua vez, há primárias especiais para a Câmara.
A menos de três meses do pleito que vai determinar se o Partido Republicano manterá ou não a maioria nas duas Casas do Congresso, os resultados das disputas regionais começam a revelar tendências sobre as preferências do eleitorado e sobre os rumos que os dois partidos pretendem seguir.
As primárias estão na metade do calendário e, nesta etapa, os eleitores escolhem os nomes que estarão nas cédulas de novembro. Dentro do Partido Democrata, uma das principais disputas é pelo equilíbrio entre a ala progressista e os candidatos mais moderados.
O embate ficou evidente na semana passada, em Michigan, com a vitória do democrata Abdul El-Sayed na disputa pela indicação ao Senado.
El-Sayed foi frequentemente comparado a Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, que venceu uma disputa eleitoral com uma agenda centrada no custo de vida, no preço dos alimentos e na expansão de serviços públicos.
Em Michigan, El-Sayed derrotou a deputada Harley Stevens, que buscava a indicação ao Senado e representa uma corrente mais moderada do partido. Stevens recebeu o apoio de figuras de destaque, como a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi e o governador de Michigan.
El-Sayed contou com o apoio do senador Bernie Sanders, de Vermont, uma das principais referências da ala progressista democrata.
Em Minnesota, uma das disputas mais importantes desta terça-feira também ocorre dentro do Partido Democrata e envolve a indicação para o Senado. De um lado está a deputada federal Angie Craig, identificada com uma corrente mais moderada.
Do outro, a vice-governadora Peggy Flanagan, ligada à ala progressista.
Também em Minnesota, os republicanos disputam a indicação para o Senado em uma corrida que reúne vários candidatos, entre eles a ex-comentarista esportiva Michele Tafoya e o ex-jogador da NBA Royce White.
O vencedor da primária republicana enfrentará, em novembro, a disputa por uma cadeira atualmente ocupada pela democrata Tina Smith, que decidiu não concorrer à reeleição.
Entre os republicanos, além da escolha dos candidatos, a principal questão envolve a capacidade de Donald Trump de manter unido o movimento conservador que o levou de volta à Casa Branca.
Em uma iniciativa inédita, o Partido Republicano realizará, pela primeira vez, uma convenção nacional específica para uma eleição de meio de mandato. O encontro está previsto para setembro, em Dallas, no Texas.
No Partido Republicano, as fraturas têm se mostrado mais profundas e públicas. A divisão envolve a própria liderança de Trump e o futuro do movimento MAGA. Um dos exemplos recentes foi o rompimento entre o presidente e Marjorie Taylor Greene, ex-deputada que durante anos esteve entre as principais aliadas de Trump, mas posteriormente se tornou uma de suas críticas.
A ruptura dos dois ex-aliados é um exemplo e evidencia que as divergências dentro do Partido Republicano já não estão restritas ao conflito entre republicanos tradicionais e a ala trumpista.
As disputas também ocorrem dentro do próprio movimento que levou Trump novamente à Casa Branca.
Apesar das divisões, os republicanos chegam às eleições com uma vantagem importante: a capacidade de Donald Trump de mobilizar a base do partido. O presidente continua sendo uma figura central para o eleitorado republicano, embora isso não signifique que a legenda esteja completamente unificada.
A convenção republicana de setembro, em Dallas, será um dos momentos para medir o grau de unidade do partido. A escolha do Texas para sediar o encontro tem peso simbólico e político, já que o estado é uma das principais bases da coalizão republicana e exerce forte influência dentro da legenda.
O encontro deverá funcionar também como uma demonstração de força do partido.
Os democratas afirmam que não realizarão uma convenção nacional específica para as eleições legislativas para concentrar recursos e esforços nas campanhas regionais.
Outro tema que atravessa o debate eleitoral americano é o sistema de votação. Nos Estados Unidos, além da votação presencial no dia da eleição, os eleitores podem votar antecipadamente de forma presencial ou pelo correio.
Donald Trump tenta restringir o uso do voto postal, sob o argumento de que existem vulnerabilidades no sistema eleitoral.
Uma ordem executiva foi assinada pelo presidente em março restringindo este tipo de voto. Em seguida, um grupo de 23 estados mais o Distrito de Columbia questionou a determinação na justiça federal.
Em junho, a mais alta instância do Judiciário americano decidiu, por maioria, um caso separado envolvendo o estado do Mississippi. A decisão permitiu que determinadas cédulas enviadas pelo correio sejam contabilizadas, desde que tenham sido postadas até o dia da eleição, em 3 de novembro, e cheguem ao local de contagem em até cinco dias depois do encerramento da votação.
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Fontes
Informação baseada em material público de RFI Português, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.