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Mundo Revisado por ULTRA AI

Mulher no corredor da morte pode ser 1ª executada no Tennessee em 200 anos

Caso envolve assassinato cometido logo após ela completar 18 anos, em 1995

5 min de leitura
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Aos 18 anos, em 1995, Christa Pike matou uma colega. No ano seguinte, foi condenada à pena de morte e, desde então, permanece no corredor da morte no Tennessee.

Sua execução está marcada para 30 de setembro.

O caso chama atenção nos Estados Unidos pela excepcionalidade: se os recursos apresentados por seus advogados não impedirem a execução, Pike será a primeira mulher a ser executada pelo Tennessee em mais de 200 anos.

A raridade se estende ao restante do país. Desde 1976, quando a Suprema Corte voltou a permitir a aplicação da pena de morte após uma suspensão de quatro anos, apenas 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos, diante de mais de 1.

É muito raro", afirmou à Folha Robin Maher, diretora executiva do Death Penalty Center, organização sem fins lucrativos que publica análises e informações sobre a pena de morte.

Segundo ela, além de crimes violentos serem cometidos com maior frequência por homens, há historicamente uma resistência maior dos júris americanos em condenar mulheres à morte.

Ainda existe a percepção de que mulheres não estão entre os 'piores dos piores'", disse, em referência ao critério usado pelo sistema americano para determinar quais réus devem receber a punição máxima.

A idade de Pike na época do crime torna o caso ainda mais incomum. Ela tinha acabado de completar 18 anos quando participou do assassinato de Colleen Slemmer, 19, ao lado de outros dois jovens.

Na era moderna da pena de morte, o Tennessee nunca executou uma pessoa que tivesse 18 anos na época do crime.

Tadaryl Shipp, então namorado de Pike, tinha 17 anos e, por isso, não podia ser condenado à morte. Ele cumpre prisão perpétua e teve seu primeiro pedido de liberdade condicional negado em 2025.

Em 2005, a Suprema Corte proibiu a aplicação da pena de morte a pessoas que cometeram crimes antes dos 18 anos. Desde então, segundo Maher, também se tornou menos comum que jovens de 18, 19 ou 20 anos sejam condenados à morte, em meio ao avanço do conhecimento científico sobre o desenvolvimento cerebral nessa faixa etária.

Outro ponto levantado pelos advogados de Pike é seu histórico de traumas e problemas de saúde mental. A defesa afirma que ela foi vítima de abuso sexual e estupros durante a infância e a adolescência, além de abandono e violência familiar.

Os episódios de abuso sexual documentados não foram apresentados ao júri como fatores atenuantes. O advogado responsável por essa fase do julgamento tinha quatro meses de formado e nunca havia atuado em um caso de homicídio.

Maher afirma que Pike também sofreu uma lesão cerebral e tinha problemas de saúde mental não tratados.

Hoje, como sociedade, temos uma compreensão melhor sobre trauma e doenças mentais do que tínhamos 30 anos atrás", afirmou. "Suspeito que, se o julgamento dela fosse realizado hoje, a apresentação das evidências seria muito diferente e um júri poderia chegar a uma conclusão muito diferente.

Mesmo a poucas semanas da data marcada, a execução ainda pode ser suspensa. Os advogados de Pike apresentaram um pedido de clemência de 226 páginas ao governador do Tennessee, Bill Lee, que pode converter a pena em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Pike chegará à data prevista para sua execução após cerca de três décadas no corredor da morte —um período longo, mas não excepcional nos Estados Unidos. Segundo Maher, os presos executados no ano passado permaneceram, em média, 27 anos no corredor da morte.

A demora decorre, entre outros fatores, da extensa tramitação dos recursos e da revisão de possíveis erros nos processos.

Execuções registraram alta em 2025, mas pena de morte segue em declínio.

A possível execução de Pike ocorre em um momento contraditório para a pena de morte nos Estados Unidos. O país registrou 47 execuções em 2025, o maior número em mais de 15 anos.

Apesar da alta recente, outros indicadores apontam para uma trajetória de queda no longo prazo.

A pena capital foi abolida em 23 dos 50 estados do país. Em outros três —Califórnia, Oregon e Pensilvânia—, as execuções estão suspensas por moratórias.

Mesmo entre os estados que mantêm a pena de morte, seu uso está concentrado em uma parcela pequena do país. Apenas 11 estados realizaram execuções no ano passado.

A Flórida respondeu sozinha por 19 das 47 mortes, ou cerca de 40% do total. Alabama, Carolina do Sul e Texas tiveram cinco execuções cada. O Tennessee, onde Pike está presa, realizou três.

Das 47 execuções, 39 foram por injeção letal, 3 por pelotão de fuzilamento e 5 por hipóxia de nitrogênio, método criticado por especialistas da ONU como potencialmente cruel e desumano.

As novas condenações também permanecem em níveis baixos: foram 23 em oito estados em 2025, o quinto ano consecutivo com menos de 30.

A grande maioria dos Estados Unidos não condena pessoas à morte nem realiza execuções", afirmou Maher. Segundo ela, o que existe hoje é um pequeno grupo de estados que continua recorrendo à pena capital.

A Flórida é o principal exemplo. Maher atribui o número elevado de execuções à política adotada pelo governador Ron DeSantis, que, segundo ela, passou a marcar execuções em intervalos de aproximadamente duas semanas.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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