Os protestos contra a presença de imigrantes em Ceuta escalaram na quinta-feira (27), quase um mês após a entrada em massa de pessoas vindas do Marrocos no exclave espanhol no norte da África.
Moradores foram até uma praia onde imigrantes passam a noite e incendiaram seus pertences. O grupo de moradores entrou em confronto com a polícia, que interveio para dispersá-los.
Mais cedo, dezenas de manifestantes bloquearam o acesso de veículos da Cruz Vermelha à praia, impedindo a distribuição de comida. Muitos agitavam bandeiras espanholas e gritavam "Vão embora!" e "Fora, Cruz Vermelha!" antes de serem dispersados pela polícia.
Os governos da Espanha e de Ceuta pediram calma diante da escalada da tensão.
A crise se agravou após a entrada de mais de 70 mil migrantes em Ceuta, no fim de julho. O episódio provocou protestos de moradores, que relatam problemas de segurança e higiene e acusam o governo central de abandono.
A maioria dos imigrantes retornou ao Marrocos poucas horas depois, mas milhares permaneceram no território. O governo espanhol estima o número entre 3. 500 e 7.
000, enquanto as autoridades de Ceuta falam em pelo menos 10 mil.
Sem acesso regular a comida, água, abrigo e instalações sanitárias, muitos dormem em acampamentos improvisados e praias ou circulam pelas ruas.
Na noite de quarta-feira (26), milhares de moradores participaram de um protesto que terminou em confronto. Segundo a imprensa espanhola, a polícia usou gás lacrimogêneo para evitar choques com imigrantes acampados em uma praia.
Na madrugada de quinta, um veículo militar com quatro soldados teria sido atacado por cerca de 70 imigrantes, segundo a Polícia Nacional. O grupo atirou pedras e outros objetos, obrigando os militares a recuar e pedir apoio policial.
Em números
- A crise se agravou após a entrada de mais de 70 mil migrantes em Ceuta, no fim de julho
- 000, enquanto as autoridades de Ceuta falam em pelo menos 10 mil