O chanceler alemão e líder da União Democrata-Cristã (CDU), Friedrich Merz, participa de entrevista coletiva em Berlim, um dia após as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, nesta segunda-feira (7).
- ANÁLISE: Merz amarga revés de proporções catastróficas com vitória da extrema direita na Saxônia-Anhalt.
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, declarou nesta segunda-feira (07/09), estar "profundamente chocado" com a derrota avassaladora sofrida por seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), frente à legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais realizadas no dia anterior no estado de Saxônia-Anhalt.
Desde ontem, não apenas a Saxônia-Anhalt mudou, mas toda a Alemanha", afirmou Merz, após reuniões com lideranças da CDU em Berlim. "Esse resultado eleitoral terá consequências", assegurou.
Merz admitiu que seus baixos índices de popularidade nas pesquisas contribuíram para a derrota de seu partido: "Sei que eu, pessoalmente, fui um tema constante nesta campanha eleitoral", disse ele.
O chanceler informou que conversará nos próximos dias com o parceiro de coalizão, o Partido Social-Democrata ( D) e ressaltou que o rumo das reformas adotado pelo governo está correto em seus princípios.
No entanto, deixou claro que está disposto a discutir aspectos específicos da reforma da previdência, bem como o volume da reforma tributária.
AfD é classificado como extrema direita na Alemanha.
Minha determinação em prosseguir com o caminho de reformas permanece inabalada", afirmou o líder conservador, ressalvando, contudo, que tentaria explicar "melhor" aos eleitores o programa de reformas do governo, destacando que elas não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para atingir objetivos concretos.
Merz ainda classificou o resultado em Sachsen-Anhalt como a "mais dura derrota eleitoral da CDU em décadas" – seu partido obteve apenas 17,2 % dos votos (20 pontos a menos em relação ao último pleito no estado) frente a 43,8 % da AfD, que mais que dobrou frente a seu resultado anterior.
Oresultado negativo elevou a pressão sobre Merz, não apenas por parte da ultradireita, mas também de dentro de sua coalizão, que tem enfrentado dificuldades para reaquecer uma economia estagnada e está dividida em questões de política social, especialmente no que diz respeito às aposentadorias.
Ao assumir a liderança do governo alemão em 2025, Merz prometeu reconduzir a CDU às suas raízes conservadoras e iniciou medidas rigorosas contra a imigração irregular enquanto tenta recuperar a economia, mas seus índices de popularidade permanecem baixos.
Nesta segunda-feira, Merz disse não ver motivos para enfrentar consequências pessoais após as pesadas perdas de seu partido. "Desistir não é uma opção para mim", frisou.
Ele afirmou ser responsabilidade do governo federal — e sua própria responsabilidade pessoal — "criar oportunidades para a próxima geração agora". Filhos e netos devem, segundo ele, ter a mesma chance que a sua geração de viver em liberdade, paz e prosperidade.
Essa é a responsabilidade, e não estou fugindo dela", acrescentou Merz.
Ele recordou que em duas semanas ocorrerão eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e que, após esses pleitos, será realizada uma análise em seu partido e em sua coalizão de governo sobre o que pode ser feito de maneira diferente.
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