O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (7) que não descarta a retomada das negociações de paz entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, mas disse que ainda é cedo para dizer quando e onde novas conversas poderiam ocorrer.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, fez os comentários ao ser questionado sobre a visita a Moscou e Kiev, no fim de semana, dos enviados especiais do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner.
Os dois tentam retomar as negociações para encontrar uma saída para a guerra na Ucrânia, que estão paralisadas há meses.
Peskov também afirmou que o Kremlin não descarta uma conversa telefônica entre o presidente russo, Vladimir Putin, e Trump para discutir a viagem dos enviados americanos.
Segundo o porta-voz, Moscou ainda não recebeu informações sobre os contatos mantidos por Witkoff e Kushner com autoridades ucranianas durante a visita a Kiev, no domingo (6).
A viagem dos enviados ocorreu depois de uma reunião de mais de três horas com Putin no Kremlin, no sábado (5). Foi a primeira vez que Witkoff e Kushner viajaram a Kiev desde que começaram a atuar nas negociações.
Eles chegaram à capital ucraniana no domingo e foram recebidos pelo presidente Volodimir Zelenski.
A missão representa uma nova tentativa de Trump de reativar os esforços diplomáticos para encerrar a guerra, depois de meses de paralisação. Na sexta-feira (4), o presidente americano afirmou que os Estados Unidos tinham uma "ideia para a paz" e que Witkoff e Kushner levavam uma proposta para tentar avançar nas negociações.
Na reunião com Putin, os enviados apresentaram ideias sobre possíveis caminhos para um acordo. Segundo o Kremlin, as conversas foram "extremamente francas" e os dois lados discutiram possíveis próximos passos, mas não houve anúncio de um avanço concreto.
Rússia e Ucrânia chegaram ao fim de semana mantendo posições muito distantes. Moscou insiste que Kiev aceite a perda dos territórios reivindicados pela Rússia e abandone o plano de ingressar na Otan.
A visita dos americanos ocorreu ainda em meio à intensificação dos ataques entre os dois países. No sábado, a Rússia atingiu aeroportos em Kiev e na cidade vizinha de Borispil, segundo Zelenski, que afirmou que os ataques estavam relacionados aos preparativos para a chegada dos enviados americanos.
Ao mesmo tempo, Putin determinou uma pausa de três dias nos ataques contra Kiev durante a visita dos americanos. Zelenski afirmou que a Ucrânia também estava disposta a suspender ataques contra Moscou durante o mesmo período.
Apesar da trégua temporária e da retomada dos contatos diplomáticos, as perspectivas de um acordo permanecem incertas. A Rússia continua afirmando que está avançando militarmente e que pretende alcançar seus objetivos no campo de batalha, enquanto a Ucrânia mantém a resistência às exigências territoriais de Moscou.
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