Estudo da ONU alerta para riscos de modelos de negócios digitais que exploram vulnerabilidades de crianças e adolescentes; publicação destaca iniciativas regulatórias, como o ECA Digital no Brasil, e defende que a participação juvenil na central na criação de políticas para o ambiente digital.
Segundo as Nações Unidas, mais de 82% das pessoas de 15 a 24 anos no mundo estão conectadas à internet e em países de baixa renda, a probabilidade de jovens estarem online é quase duas vezes maior do que a do restante da população.
Neste Dia Internacional da Juventude, marcado neste 12 de agosto, o novo relatório do Departamento de Comunicação da instituição aconselha governos, empresas de tecnologia, anunciantes e pesquisadores a priorizar a proteção e a participação de jovens no ecossistema digital.
Por estarem em fases de desenvolvimento cognitivo e emocional, as crianças e jovens tornam-se alvos fáceis para design persuasivo e enganoso.
De acordo com a publicação, os modelos de negócios não são acidentais. Eles monopolizam a atenção, coletam dados pessoais e lucram com mecanismos comportamentais agressivos.
Entre as práticas estão os padrões escuros, as caixas de recompensa em jogos eletrônicos e os algoritmos de retenção projetados para reter os usuários, frequentemente levando-os a conteúdos violentos, extremistas ou de automutilação.
Diante do rápido avanço da IA, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o pedido por uma regulação rigorosa, pois, quando uma criança é prejudicada, a resposta nunca deve ser: “é culpa do algoritmo.”.
Em resposta a esses desafios, diversos países têm avançado na criação de marcos regulatórios que impõem obrigações rígidas às plataformas digitais, como a realização de avaliações de risco, relatórios de transparência e restrições de idade.
O relatório destaca a legislação brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, ECA Digital, aprovado em setembro de 2025, como uma das leis mais abrangentes do mundo ao focar na responsabilidade do design das plataformas.
Crianças e jovens são agentes de mudança, criadores de conteúdo e organizadores de movimentos civis e jornalísticos.
No entanto, os espaços virtuais que permitem essas mobilizações também expõem ativistas à vigilância e ao assédio online, principalmente mulheres e minorias.
A assessora sênior da ONU para Integridade da Informação, Charlotte Scaddan, afirma que proteger e incluir a juventude na criação de soluções e políticas públicas são metas que devem ser executadas simultaneamente.
O relatório ressalta que, enquanto a IA se torna cada vez mais persuasiva, a oportunidade para garantir os direitos infantis nos marcos globais demanda ações práticas e imediatas de toda a comunidade internacional.
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.