Milhões de pessoas olham hoje para o céu na expectativa de testemunhar um dos maiores espetáculos da natureza: um raro eclipse total do Sol, que atravessa a Europa continental e transforma por breves momentos o dia em noite.
Espera-se que a Lua cubra primeiro o Sol, deixando apenas o brilho cintilante da sua coroa exterior, no remoto norte ártico da Rússia, antes de partes da Gronelândia e da Islândia ficarem envoltas no arco da sua estranha sombra.
Em Espanha, a expectativa é máxima, com turistas a encherem as ruas de aldeias habitualmente tranquilas para presenciarem o dramático fenómeno natural, enquanto a estreita faixa do eclipse atravessa a Península Ibérica, da costa atlântica norte ao mar Mediterrâneo, no sul.
A Europa continental não assistia a um eclipse total do Sol há 20 anos e Espanha não via um fenómeno destes há mais de um século. Já a capital islandesa, Reykjavik, não regista um eclipse total do Sol desde 1433.
Os óculos especiais para observação registaram forte procura, já que um eclipse parcial será visível para muitos milhões de pessoas na maior parte da Europa, no Canadá, no norte dos Estados Unidos e no noroeste de África.
Mas o eclipse total do Sol deverá ser visível apenas em poucos locais. Reykjavik, Islândia, por volta das 17h48, hora localLeón, Espanha, por volta das 20h28, hora localZaragoza, Espanha, por volta das 20h29, hora localE Valência, Espanha, por volta das 20h32, hora localEfémeroAo longo da história, os eclipses despertaram espanto, medo e reverência, ao parecerem suspender por instantes o curso normal da natureza.
A sombra, ou “umbra”, criada pelo alinhamento entre o Sol e a Lua gera um crepúsculo estranho, durante o qual as temperaturas descem, as sombras surgem em ângulos invulgares e alguns animais vão dormir.
Mas o fenómeno é fugaz: em partes da Rússia e da Gronelândia, o eclipse total durará menos de dois minutos e meio. Para os observadores em Espanha, terá menos de dois minutos, mesmo antes do pôr do sol.
O eclipse parcial, que ocorre quando a Lua começa e termina a atravessar a trajetória do Sol, atenuando a sua luz, prolongar-se-á por cerca de uma hora e 45 minutos.
O evento, que será transmitido em direto pela NASA e pela Agência Espacial Europeia, oferece aos cientistas uma oportunidade rara para estudarem a atmosfera solar e a sua camada mais externa, na tentativa de desvendar segredos dos ventos solares e do campo magnético da nossa estrela.
MeteorologiaO estado do tempo, sobretudo as nuvens, é o principal inimigo dos caçadores de eclipses e a chuva prevista pode estragar o momento na região dos Westfjords, no noroeste da Islândia.
O cientista e astrónomo Saevar Helgi Bragason disse sentir “ao mesmo tempo entusiasmo e desgosto” devido às previsões meteorológicas desfavoráveis.“É quase como se tivesse perdido alguém”, afirmou à agência noticiosa AFP, em Reykjavik.
Mas acrescentou esperar que o céu se abra apenas o tempo suficiente para poder ver “a noite mais curta, mais súbita, mais bela, mais única e, espera ele, mais memorável das nossas vidas” a partir de casa.
Em Espanha não se esperam tais problemas, com céu limpo nas previsões, embora haja preocupações devido às temperaturas superiores a 35 ºC e ao risco persistente de incêndios florestais.
A “febre” do eclipse tomou conta de Espanha, com o governo a prever que mais de 446 mil turistas adicionais poderão dar um impulso de 347 milhões de euros à economia.“A faixa de totalidade é muito estreita.
Tem apenas algumas centenas de quilómetros de largura”, explicou à AFP o astrofísico britânico e divulgador científico Graham Jones, esta terça-feira, a partir de Fontanil de los Oteros, no norte de Espanha.“É isso que torna Espanha tão especial.
A faixa de totalidade atravessa mesmo a Península Espanhola.”Outro eclipse total cruzará o sul de Espanha e o norte de África em agosto de 2027, enquanto um eclipse anular, em que a Lua não é suficientemente grande para ocultar por completo o Sol, criando o chamado “anel de fogo”, deverá passar pela Península Ibérica em 2028.
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Em números
- A “febre” do eclipse tomou conta de Espanha, com o governo a prever que mais de 446 mil turistas adicionais poderão dar um impulso de 347
Fontes
Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.