O príncipe Edward Kijanangoma Rukidi foi nomeado sucessor do falecido Omukama Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, abrindo caminho para um novo reinado no Reino de Tooro.
Um apresentador de televisão foi escolhido inesperadamente como o próximo monarca do Reino de Tooro, em Uganda, nesta quarta-feira (10), após a morte do rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, , no mês passado, aos 34 anos.
Ele ficou conhecido como o “rei menino” por ter assumido o trono ainda bebê.
Um comitê de seleção do Tooro anunciou Edward Rukidi Kijanangoma como príncipe herdeiro após uma busca pelo sucessor. Primo do rei morto, Kijanangoma é apresentador e editor da emissora estatal Uganda Broadcasting Corporation.
A previsão é que ele seja coroado ainda nesta semana. Oyo será enterrado no sábado, em uma cerimônia que deve reunir dezenas de milhares de pessoas em uma cidade remota próxima à fronteira com a República Democrática do Congo.
O rei morreu de câncer e não era casado. A morte comoveu muitos ugandenses que acompanharam sua trajetória desde a infância e o viram se tornar um líder querido do antigo reino.
Tooro é um dos cinco reinos tradicionais reconhecidos pelo governo de Uganda. As monarquias não têm soberania formal nem autoridade política no país.
O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, havia afirmado que Oyo deixou um herdeiro jovem, nascido fora do casamento. O comitê de Tooro, porém, decidiu não considerar essa possibilidade.
Conhecido por seu estilo simples como apresentador, Kijanangoma pode ter sido escolhido para agradar tanto tradicionalistas que defendem a continuidade da monarquia quanto aqueles que são contrários à ideia de outra criança assumir o trono.
A decisão, porém, pode provocar controvérsia e até uma disputa judicial caso os admiradores de Oyo se sintam afastados do processo. A escolha foi imediatamente rejeitada por uma das parentes mais próximas do antigo rei.
Ruth Komuntale, irmã de Oyo, disse à emissora local NBS que estava decepcionada e afirmou que a decisão poderia provocar divisão e turbulência. Segundo ela, o testamento de Oyo afirmava claramente que ele havia deixado um herdeiro para o trono.
Oyo foi coroado em 1995, aos 3 anos, após a morte do pai. Na época, tornou-se conhecido como o rei mais jovem do mundo. Durante a cerimônia, participou de rituais tradicionais e foi levado ao cemitério real, onde realizou um ritual de passagem para a vida adulta ao lançar nove grãos de café na sepultura do pai.
Durante sua infância, Oyo era uma figura de grande fascínio, inclusive para líderes mundiais que o conheceram em eventos oficiais. Ele foi orientado por regentes escolhidos pelo reino até completar 18 anos.
O líder líbio Muammar Gaddafi também se aproximou da família real de Tooro e chegou a visitar Uganda várias vezes. Ele apoiou Oyo e a rainha-mãe durante anos, até sua morte, em outubro de 2011.
Os reinos tradicionais de Uganda foram proibidos após a independência do país do domínio colonial britânico. A medida foi tomada pelo presidente que defendia a unificação nacional.
As monarquias foram restauradas em 1993.
Embora não tenham autoridade política e sejam proibidas por lei de participar de atividades partidárias, as famílias reais tradicionais ainda exercem influência como guardiãs da cultura e das tradições de seus povos.
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