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Funeral de Ratko Mladic, o 'açougueiro da Bósnia', reúne multidão e provoca indignação da UE

Ex-general foi responsável pelo Massacre de Srebrenica, que matou cerca de 8.000 muçulmanos em 1995

3 min de leitura
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Uma multidão prestou homenagem nesta segunda-feira (7) em Belgrado diante do caixão de Ratko Mladic, o ex-general sérvio cujas ações durante as guerras dos Bálcãs na década de 1990 lhe renderam o apelido de "Açougueiro da Bósnia.

O funeral, marcado por manifestações de apoio ao ex-general, provocou indignação internacional.

Mladic morreu no fim de agosto, aos 84 anos, em Haia, na Holanda, onde cumpria pena por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Simpatizantes do ex-comandante começaram a chegar à igreja ortodoxa de São Lucas, em Belgrado, nas primeiras horas da manhã.

Na cerimônia fúnebre, sérvios beijaram o caixão fechado de Mladic, ladeado por militares, enquanto sacerdotes ortodoxos recitavam orações. A polícia interditou as ruas próximas à igreja diante da concentração de pessoas, entre elas muitos veteranos da guerra.

Bandeiras sérvias foram penduradas nas imediações. Uma grande faixa estendida sobre a rua dizia: "Bem-vindo, general. Obrigado à sua mãe por ter dado à luz a um herói, para que a glória da Grande Sérvia possa retornar.

Estou aqui para me despedir do general, um herói nacional", disse à AFP a aposentada Radojka Visic, que viajou para participar da cerimônia. O corpo de Mladic permaneceu exposto na igreja por cinco horas.

Depois, foi levado por um cortejo até um cemitério.

O caixão, coberto com bandeiras sérvias, foi enviado na quinta-feira para a Sérvia em um avião do governo e recebido em Belgrado com honras militares.

Nesta segunda, um porta-voz da União Europeia afirmou que a "glorificação de criminosos de guerra, negacionistas do genocídio ou revisionistas contradiz os valores europeus mais fundamentais e não tem espaço na UE ou em países candidatos" à adesão ao bloco.

A comissária europeia para a ampliação da UE, Marta Kos, cancelou na sexta-feira uma visita à Sérvia prevista para 9 de setembro. Segundo ela, a "glorificação em torno da morte" de Mladic era "incompatível com os valores sobre os quais a UE foi construída.

Mladic foi capturado em 26 de maio de 2011, em um vilarejo agrícola ao norte de Belgrado, capital da Sérvia, depois de quase 16 anos foragido, encerrando uma das buscas mais longas da história moderna.

Sua condenação por um tribunal internacional em 2017, sob acusações de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, marcou o fim de um capítulo sombrio e sangrento na história europeia.

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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