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Funeral de criminoso de guerra na Sérvia reúne milhares e reabre feridas

3 min de leitura
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Milhares de pessoas se reuniram em Belgrado nesta segunda-feira (7) para o funeral do ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, que morreu na semana passada enquanto cumpria prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Multidões carregando bandeiras da Sérvia e fotos de Mladic usando um tradicional gorro militar sérvio se reuniram do lado de fora de uma igreja em um subúrbio de Belgrado, onde o patriarca sérvio Porfirije, líder da Igreja Ortodoxa do país, conduziu a cerimônia.

O caixão de Mladic, cercado por soldados armados uniformizados e acompanhado por uma banda de metais, foi então levado pelas ruas tomadas por pessoas que entoavam seu nome.

Ele foi enterrado em um cemitério próximo, ao lado da filha, que morreu em 1994. Foi um dos maiores funerais públicos da Sérvia desde a queda do comunismo, em 1990, e mostrou como Mladic continua sendo reverenciado por muitos sérvios e moradores da República Sérvia, entidade autônoma da Bósnia, apesar das condenações relacionadas ao seu papel no massacre de Srebrenica, em 1995, e no cerco de Sarajevo — dois dos episódios mais sangrentos da Europa no pós-guerra.

Mladic foi considerado culpado de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia por seu papel no massacre de Srebrenica, em 1995, quando cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios foram mortos depois que forças sérvio-bósnias tomaram a área que havia sido declarada enclave protegido pela ONU.

Ele também foi condenado pelo cerco de Sarajevo, que durou 43 meses e deixou cerca de 10 mil mortos. Na semana passada, a comissária da União Europeia para o Alargamento, Marta Kos, adiou sua visita à Sérvia, candidata a integrar o bloco, devido ao que classificou como “glorificação” de Mladic após sua morte, incluindo o uso de um avião do governo para transportar o corpo de volta à Sérvia.

Seu filho, Danilo, participou da cerimônia, assim como o ministro da Defesa, Bratislav Gasic, e o ministro da Justiça, Nenad Vujic. LEMBRANÇA DOLOROSA PARA MILHARES Em Sarajevo, enquanto isso, o funeral reavivou memórias dolorosas da guerra.

Empresas de telecomunicações da Federação da Bósnia e Herzegovina, de maioria bósnia e croata, bloquearam o sinal de duas emissoras sérvio-bósnias que transmitiram ao vivo o funeral e o cortejo.

O ministro das Relações Exteriores da Bósnia, Elmedin Konakovic, afirmou que o país retirará todos os funcionários de sua embaixada em Belgrado, com exceção do embaixador e do cônsul, em protesto contra a condução do funeral pela Sérvia, incluindo a escolta militar do corpo e a presença de integrantes do governo.

Ele foi uma das mais de mil crianças mortas na cidade. “Mladic... só merecia ser apagado da memória para sempre, não ser... promovido como herói”, disse ela. “Ele deveria ser lembrado apenas como um açougueiro.” (Reportagem de Ivana Sekularac; reportagem adicional de Daria Sito-Sucic, em Sarajevo; edição de Edward McAllister, Alex Richardson e Hugh Lawson).

Multidões carregando bandeiras da Sérvia e fotos de Ratko Mladic usando um tradicional gorro militar sérvio se reuniram do lado de fora de uma igreja em um subúrbio de Belgrado.

A morte de Mladic despertou fortes sentimentos relacionados à dissolução da Iugoslávia e aos conflitos étnicos que se seguiram nos Bálcãs.

O presidente sérvio Aleksandar Vucic, que rejeitou a declaração de Kos na semana passada, não compareceu ao funeral. Seu filho, Danilo, participou da cerimônia, assim como o ministro da Defesa, Bratislav Gasic, e o ministro da Justiça, Nenad Vujic.

Em números

  • Ele também foi condenado pelo cerco de Sarajevo, que durou 43 meses e deixou cerca de 10 mil mortos

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Fontes consultadas

  • CNN Brasillink

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