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Eleitorado brasileiro cresce nos EUA, mas distância e medo do ICE desafiam votação em Nova York

A menos de um mês das eleições presidenciais no Brasil, os Estados Unidos se preparam para receber o maior contingente de eleitores brasileiros fora do país. O

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Eleitorado brasileiro cresce nos EUA, mas distância e medo do ICE desafiam votação em Nova York

A menos de um mês das eleições presidenciais no Brasil, os Estados Unidos se preparam para receber o maior contingente de eleitores brasileiros fora do país. O número de pessoas aptas a votar em território americano cresceu cerca de 45% desde a última eleição presidencial, ao mesmo tempo em que consulados reorganizam locais de votação para atender à demanda e a um desafio novo: o temor provocado pelo endurecimento das operações de controle de imigração no país.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918,9 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior nas eleições de 2026. Em 2022, eram 697,1 mil – um crescimento de 31,8% em quatro anos.

O eleitorado brasileiro no exterior mais do que quadruplicou desde 2010, quando estava na casa dos 200 mil.

Os Estados Unidos concentram o maior colégio eleitoral brasileiro fora do Brasil. São cerca de 265 mil eleitores registrados, contra quase 183 mil em 2022, um salto de aproximadamente 45%.

Boston reúne o maior eleitorado brasileiro nos Estados Unidos, com 53,4 mil pessoas aptas a votar. Na sequência aparecem Miami, com 40. 109 eleitores, e Nova York, com 39.

026. Em Nova York, o eleitorado aumentou significativamente em relação a 2022, quando cerca de 28 mil brasileiros estavam aptos a votar.

Neste ano, o Itamaraty trabalha com 66 endereços adicionais para a realização das eleições, 14 deles nos Estados Unidos.

Nas eleições de 2022, a votação de Nova York ocorreu em Manhattan. Mas este ano, o Consulado-Geral do Brasil decidiu transferir o pleito para uma instituição de ensino no Queens, provocando reclamações entre parte dos eleitores.

A mudança ocorre justamente em um dos distritos com maior concentração de imigrantes da cidade e que tem sido alvo de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em meio ao endurecimento da política migratória do governo Donald Trump.

O novo local fica a cerca de 16 quilômetros da sede do Consulado, em Manhattan, e não tem acesso direto ao metrô.

A jurisdição consular de Nova York também atende brasileiros que vivem em Nova Jersey e na região da Filadélfia, que precisam se deslocar até a cidade para votar.

É o caso de Amanda Lourenço, que trabalha com marketing e vive nos Estados Unidos há sete anos. Moradora da Pensilvânia, ela conta que já precisava dirigir cerca de uma hora e meia para votar em Nova York.

Em 2022, conseguiu participar do primeiro turno, mas acabou não voltando para o segundo por causa da distância. Agora, com a transferência para o Queens, seu percurso ficará pelo menos meia hora mais longo.

A decisão já provocou uma mobilização de brasileiros que pedem ao Consulado a transferência da votação de volta para Manhattan.

Mas a distância não foi o único fator considerado na definição do novo endereço. Em meio ao aumento das operações de imigração nos Estados Unidos, o medo de abordagens de agentes do ICE também entrou no cálculo das autoridades brasileiras.

O local escolhido no Queens permite que as filas sejam organizadas dentro do complexo educacional, evitando que milhares de brasileiros tenham de esperar nas calçadas.

Segundo as informações reunidas sobre a preparação do pleito, a Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e a polícia da cidade também participaram do mapeamento de alternativas consideradas mais seguras.

O mesmo complexo foi utilizado pelo Consulado-Geral do Peru para sua eleição presidencial em abril.

A preocupação ganha peso em uma comunidade muito maior do que o eleitorado registrado. Estimativas do Itamaraty apontam para cerca de 2 milhões de brasileiros vivendo atualmente nos Estados Unidos, enquanto apenas cerca de 265 mil estão aptos a votar.

A organização das filas já havia sido um desafio em Nova York nas últimas eleições presidenciais. Em 2022, eleitores chegaram a enfrentar cerca de meia hora de espera para percorrer aproximadamente 500 metros.

Também houve tensão entre apoiadores de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, levando a polícia de Nova York a instalar barreiras e manter os dois grupos em lados diferentes da rua.

Apesar do crescimento do número de eleitores cadastrados, levar esses brasileiros efetivamente às urnas continua sendo um dos principais desafios da eleição no exterior.

Em 2022, a abstenção entre brasileiros que votavam fora do país chegou a 63,36% no primeiro turno e 61,44% no segundo. Assim como no Brasil, o voto é obrigatório para eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, embora quem esteja ausente possa justificar a falta.

No pleito passado, o eleitorado brasileiro nos Estados Unidos deu ampla vantagem a Jair Bolsonaro: o então presidente recebeu cerca de 65% dos votos válidos no país.

Miami foi seu principal reduto, com 81,2%. Lula venceu em apenas três dos dez postos consulares, obtendo seu melhor resultado em São Francisco, onde alcançou 60,1%.

Em 2026, portanto, o desafio das autoridades brasileiras será duplo: acomodar um eleitorado muito maior e transformar o crescimento dos registros em participação efetiva nas urnas, em uma eleição realizada sob um cenário migratório muito diferente daquele de quatro anos atrás.

Em números

  • Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918,9 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior nas e
  • Em 2022, eram 697,1 mil – um crescimento de 31,8% em quatro anos
  • Ado brasileiro no exterior mais do que quadruplicou desde 2010, quando estava na casa dos 200 mil
  • São cerca de 265 mil eleitores registrados, contra quase 183 mil em 20

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