Cruzando proteção militar com ajuda humanitária, boinas azuis sob liderança de general brasileiro se tornam referência ao assegurar logística, suprimentos e segurança contra surtos em áreas de conflito; da entrega de suprimentos essenciais ao treino de forças de saúde, comandante conta como logística da paz salvou vidas.
Nas regiões do leste da República Democrática do Congo, RD Congo, marcadas pela instabilidade, forças de paz enfrentam uma batalha em duas frentes: frear a ação de dezenas de grupos armados ilegais e abordar a pior crise do vírus ebola.
Para o general Ulisses Miranda Gomes, surtos em províncias orientais, como Kivu do Norte e Ituri, exigem apoio das tropas na entrega de reforços médicos, logística e escoltas de segurança a equipes de saúde.
Somente Ituri reúne quase 90% dos casos confirmados, sendo prioridade de profissionais de saúde e líderes nacionais.
A experiência da Missão da ONU na RD Congo, Monusco, e em especial a de instrutores militares ao comando do oficial brasileiro, ganhou espaço um modelo onde a proteção de civis se cruza com emergências de saúde pública sob rigorosos protocolos biosseguros.
Esse cenário ficou mais relevante à medida que o vírus do ebola começou a circular em zonas de selva, apresentando uma alta velocidade de disseminação em relação a surtos passados vividos no país africano.
Na ação no terreno, as forças internacionais viram a operação mais complexa ao assegurar o perímetro e a integridade física dos centros e equipes de tratamento da Organização Mundial da Saúde, OMS.
Apesar dos riscos que envolvem a vida militar em florestas congolesas, os peritos em combate na selva ajustaram seus programas de capacitação para as Forças Armadas da RD Congo, Fardc, e a outros contingentes da Monusco.
Além de Ituri, outro centro da operação crítico foi Beni, na província do Kivu do Norte. As equipes especializadas formaram dezenas de militares congoleses para atuar de forma direta, integrando a resposta sanitária aos exercícios.
Para o comandante das forças do contingente, o rigor no cumprimento das diretrizes de biossegurança foi determinante. Com a aplicação rigorosa dos protocolos da OMS, a missão pôde garantir que suas atividades continuassem.
Durante este processo, não se registou qualquer infecção nas fileiras militares, policiais ou entre o pessoal civil da força multinacional.
Além do combate físico aos grupos rebeldes e do apoio ao isolamento de focos epidemiológicos, a força da ONU deparou-se com uma “epidemia de desinformação”.
Rumores e notícias falsas que circulavam nas comunidades locais alimentavam o ceticismo em relação às medidas sanitárias e distorciam o verdadeiro papel dos boinas azuis no terreno, destacou o chefe das forças internacionais.
Para conter a disseminação de narrativas falsas, que colocavam em risco as equipes de resposta médica, o plano da liderança da Monusco foi a comunicação direta, o uso da Rádio Okapi, no recurso a redes locais e no engajamento comunitário.
A expectativa com esse modelo é que futuras missões internacionais possam manter a presença militar em ambiente adverso, ajustando a segurança contra crises de saúde sem comprometer o mandato de proteção às populações civis.
O comandante diz acreditar que a principal lição aprendida é que não se pode parar de atuar e, desde o início, sua operação não foi interrompida: houve maior presença para proteger os civis no que permitiu que equipes de saúde e autoridades do Ministério da Saúde prestassem cuidados.
Com a missão de apoiar, o general reiterou que “grande lição é que não podemos parar. No entanto, é fundamental cumprir rigorosamente os protocolos da Organização Mundial da Saúde.”.
Entre civis, polícias ou militares seguir esses protocolos ajudou as forças de segurança a estar livre de casos.
Em alerta feito recentemente, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, África CDC, e a OMS pediram a ampliação urgente da resposta comunitária contra o ebola na RD Congo.
As recomendações envolvem priorizar a detecção precoce, o rastreio de contatos, o acesso a cuidados e o envio acelerado de recursos para as áreas afetadas.
O pedido surge após uma missão conjunta de alto nível liderada pelos diretores das respetivas organizações a Uganda e à RD Congo, que avaliou os desafios operacionais nas duas áreas mais críticas.
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.