O estudo do Fundo Internacional para a Agricultura, Fida, calcula que 220 milhões de pessoas sustentam 1,1 bilhão de familiares com remessas, conectando uma em cada seis pessoas no mundo.
A análise traz à tona um retrato das transferências representando o que se considera uma espinha dorsal do bem-estar, abarcando desde o acesso à educação até a capacidade de superação de crises para inúmeras famílias em quatro continentes.
Pedro de Vasconcelos é o gestor do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. Em relação ao tema, ele destaca haver lições de décadas que continuam perfeitamente aplicáveis hoje.
O peso real do dinheiro enviado pelos migrantes para casa revela-se com ainda nas pequenas economias insulares e em desenvolvimento. Em Cabo Verde, o total atinge a marca de 12% de todo o Produto Interno Bruto, PIB, nacional, figurando entre as taxas de dependência mais altas de todo o continente africano.
Timor-Leste e Guiné-Bissau seguem esse mesmo caminho de forte conexão externa, com as remessas correspondendo a 10% de suas economias, enquanto em São Tomé e Príncipe a fatia chega a 8% do PIB.
Em Timor-Leste, os valores remetidos pela diáspora equivalem a 96% do valor total das exportações nacionais. Em São Tomé e Príncipe e na Guiné-Bissau, essa proporção alcança 62%.
Os migrantes geram para essas nações um fluxo de divisas que compete com ou supera quase tudo o que esses países conseguem produzir e vender para fora de suas fronteiras.
Ao longo da última década, o dinamismo desse movimento registrou saltos extraordinários. Angola é um caso que chama atenção em termos de aceleração, com a explosão de quase 1.
São Tomé e Príncipe e Moçambique também viram seus fluxos mais do que triplicarem no mesmo período, enquanto a Guiné-Bissau e Timor-Leste registraram crescimentos superiores a 100%, e o Brasil e Cabo Verde mantiveram uma trajetória de firme de expansão, em torno de 60%.
No centro dessa teia de mobilidade global, Portugal desempenha um papel duplo e fundamental. O país é considerado um dinâmico cruzamento de caminhos e de livre circulação na Europa.
Portugal está ancorado em corredores migratórios consolidados que ligam, por exemplo, trabalhadores portugueses à França e, ao mesmo tempo, serve de ponte para as comunidades dos países africanos de língua portuguesa e para Timor-Leste.
Barreiras e custos desiguais também marcam esse processo. Enquanto o envio de dinheiro para São Tomé e Príncipe ou para o Brasil envolve taxas médias em torno de 4% em serviços não bancários, o corredor angolano sofre com um custo médio de quase 23% por operação.
Para o Fida, o grande desafio atual é reduzir essas tarifas, pois cada ponto percentual economizado na taxa de envio faz uma diferença significativa na renda das comunidades lusófonas.
Em números
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