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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Pioneiros do Ballroom em MS levam glamour, potência e representatividade aos palcos do país

Primeira house brasileira a integrar o Palco Giratório, grupo sul-mato-grossense já passou por oito cidades e encerra circulação com apresentações em Belém e Sã

4 min de leitura
Pioneiros do Ballroom em MS levam glamour, potência e representatividade aos palcos do país

Espetáculo com DNA 100% sul-mato-grossense retornou a Campo Grande para uma única apresentação nesta terça-feira (8), depois de agitar plateias de outras oito cidades pelo país.

Peça Única' leva ao palco todo o glamour, a irreverência e a potência dos pioneiros da cultura ballroom em Mato Grosso do Sul, a House Hands Up.

Primeira house de cultura ballroom do Estado, a Hands Up também é a primeira House do país a integrar a programação do Palco Giratório, projeto nacional do Sesc de circulação de artes cênicas.

A montagem reúne nove performers da House em um espetáculo que escolhe não falar sobre as dores, mas sobre a potência, a beleza e a resiliência da população LGBTQIAPN+, que também encontra nos holofotes uma forma de existir, resistir e ocupar espaços.

Um dos aspectos mais marcantes da criação foi a decisão dos dois diretores, Roger Pacheco e Marcos Mattos, de não construir o espetáculo a partir da violência e do sofrimento frequentemente associados às experiências dessa comunidade.

No lugar da dor, a montagem escolheu trabalhar com conceitos como poder, beleza, luxo, performance e resistência.

Para ele, a potência do espetáculo está justamente em apresentar outras possibilidades de representação.

Em “Peça Única”, a cultura Ballroom é levada para dentro do espaço teatral por meio de uma dramaturgia que mistura dança, moda, performance e elementos da cultura LGBTQIAPN.

Marcos conta que o espetáculo não pretende contar uma história linear. A proposta é construir uma experiência formada por diferentes camadas e momentos da cultura Ballroom.

Ao longo da circulação, a Hands Up passou por cidades como Poconé (MT), Porto Alegre (RS), Canoas (RS), Caxias do Sul (RS), Recife (PE), Petrolina (PE), São Paulo (SP) e Santa Luzia (MG).

Depois de Campo Grande, ainda estão previstas apresentações em Belém (PA) e São Luís (MA).

Para Roger, ocupar esses palcos representa também uma oportunidade de dar visibilidade à cena Ballroom de Mato Grosso do Sul, que, apesar de já contar com uma trajetória de cerca de uma década, ainda é pouco conhecida fora do Estado.

A participação no projeto também tem um significado que ultrapassa os palcos. Para alguns integrantes, a circulação representa a primeira oportunidade de viajar de avião, conhecer outras cidades e apresentar o próprio trabalho para públicos de diferentes regiões do país.

Segundo ele, a circulação tem funcionado como uma vitrine para os artistas e para a própria cena Ballroom sul-mato-grossense. Além das apresentações, integrantes da House já passaram a ser convidados para participar de júris e de outros eventos ligados à cultura Ballroom.

A recepção do público também tem surpreendido os integrantes. Antes da circulação, havia o receio de que a presença de pessoas LGBTQIAPN+, negras e trans no elenco pudesse provocar resistência ou episódios de preconceito.

A experiência, porém, segundo o coreógrafo, tem sido muito diferente.

Em Santa Luzia, em Minas Gerais, o grupo teve uma experiência especialmente marcante ao apresentar o trabalho para um público formado majoritariamente por pessoas idosas.

A curiosidade despertada pelo espetáculo também tem feito com que os espectadores permaneçam para os bate-papos após as apresentações. Conforme Roger, o público busca entender não apenas a dança, mas a própria estrutura da cultura Ballroom.

Entre o público que foi conferir o espetáculo na noite desta terça-feira (8) estavam as irmãs Júlia Maia, maquiadora e lojista, e Bruna Maia, tatuadora. Júlia já havia acompanhado apresentações da Hands Up, enquanto Bruna teve seu primeiro contato com o espetáculo.

Júlia conta que conheceu a cultura Ballroom depois de se mudar de Três Lagoas para Campo Grande, há cerca de três anos. Antes disso, já tinha contato com o movimento por meio de séries e conteúdos disponíveis em plataformas de streaming.

Ao descobrir que havia uma cena Ballroom em Mato Grosso do Sul, decidiu acompanhá-la de perto.

Para as irmãs, a existência de uma cena Ballroom em Mato Grosso do Sul também representa uma forma de ampliar a diversidade cultural do Estado. Em um território frequentemente associado ao agronegócio e visto como conservador, elas consideram importante que manifestações artísticas LGBTQIAPN+ encontrem espaço e público.

Além de “Peça Única”, outros cinco espetáculos integram a II Mostra Palco Giratório Sesc MS, em Campo Grande, ainda esta semana. Todas as apresentações são gratuitas.

Para mais informações e acesso aos ingressos, basta acessar este link.

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