0x Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atua na produção executiva do longa, e a produtora Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme.
- A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, investigando desvio de recursos no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
- Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal, incluindo o deputado Mario Frias.
- A investigação aponta uma organização que teria direcionado recursos a empresas subcontratadas sem comprovação de serviços.
- Os crimes sob apuração incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
- O caso é um desdobramento da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e seu ex-controlador Daniel Vorcaro.
- Conversas extraídas de aparelhos apreendem mostram Mario Frias agradecendo a Vorcaro por aporte no filme.
- Há suspeitas de que emendas parlamentares e delação de doleiro também estejam ligadas ao financiamento do projeto.
- Investigados e adversários disputam a relatoria do caso no STF, com pedidos de transferência e suspeição de ministros.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos no financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
São 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.
As buscas chegam uma semana depois de a produtora dizer que entregaria à PF, por vontade própria, contratos, faturas e comprovantes da origem do dinheiro. Aquele pedido tinha sido feito por e-mail, em 18 de agosto, sem mandado judicial.
Agora a polícia foi buscar o material com autorização da Justiça.
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos a empresas subcontratadas sem comprovação de que os serviços foram prestados.
A corporação afirma ter identificado movimentação de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema.
Os crimes sob apuração são peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. As informações sobre a operação foram divulgadas pela própria PF.
O caso nasceu da investigação sobre o Banco Master.
A apuração sobre Dark Horse é desdobramento da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e o ex-controlador Daniel Vorcaro.
Em maio, vieram a público conversas extraídas de aparelhos apreendidos naquela investigação. Nelas, Frias agradece a Vorcaro pelo aporte no filme e chama o banqueiro de “irmão”, depois de ter dito em público que não havia “um único centavo do sr.
Um dos áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, mostraria um pedido de recursos a Vorcaro para bancar a produção.
O senador diz que todo o dinheiro repassado foi para o filme e afirma não ter assinado contrato da produtora.
O valor é atribuição dos parlamentares e não foi confirmado pela PF.
Há ainda a suspeita de que emendas parlamentares tenham financiado parte do projeto, hipótese que integra as apurações.
Na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça homologou a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado como responsável por repasses ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.
Investigado e adversários brigam pelo mesmo relator, em direções opostas.
No fim de agosto, Frias apresentou questão de ordem ao STF para tirar a investigação do ministro Flávio Dino e passá-la a Mendonça. A defesa sustenta que Mendonça já conduz outras apurações sobre os mesmos fatos.
Os deputados governistas foram na direção contrária. Na mesma semana, pediram que a Procuradoria-Geral da República requeresse a suspeição de Mendonça na relatoria do caso Master.
Os dois pedidos seguem em aberto. Quem decide o rumo da relatoria é o presidente do STF, Edson Fachin.
Nenhuma defesa se manifestou até o fechamento.
Até o fechamento desta matéria não havia manifestação pública do gabinete de Mario Frias nem de Karina Ferreira da Gama sobre as buscas desta quinta-feira. No início do mês, a produtora divulgou nota em que afirma que a execução do filme é regular.
Ser alvo de busca e apreensão não é condenação. Não há denúncia da PGR no caso, ninguém virou réu, e a responsabilidade criminal depende do avanço da investigação e de eventual processo judicial.
Maio de 2026: mensagens apreendidas na Operação Compliance Zero mostram Mario Frias agradecendo a Daniel Vorcaro pelo aporte no filme. O deputado havia dito que não havia dinheiro do banqueiro na produção.
18 de agosto: a Polícia Federal envia e-mail à produtora pedindo, sem mandado, contratos, faturas e comprovantes da origem do dinheiro.
Fim de agosto: Mario Frias apresenta questão de ordem ao STF para tirar o caso do ministro Flávio Dino e passá-lo a André Mendonça.
3 de setembro: a produtora informa que entregaria a documentação até o dia 4.
10 de setembro: a PF deflagra a Operação Make Up, com 49 mandados de busca.
Peculato: desvio ou apropriação de dinheiro público por quem tem acesso a ele em razão do cargo.
Lavagem de dinheiro: dar aparência legal a recursos de origem ilícita, passando o dinheiro por empresas ou contratos.
Delação homologada: o juiz valida o acordo de colaboração, mas não atesta que o que o delator contou seja verdade. As informações ainda precisam ser confirmadas por outras provas.
Questão de ordem: pedido apresentado no tribunal para resolver um ponto processual antes do mérito, como definir qual ministro fica com o caso.
Suspeição: alegação de que o julgador não tem isenção para decidir e por isso deve sair do caso.
Emenda parlamentar: verba do Orçamento que o deputado ou senador direciona para uma finalidade escolhida por ele.
Dados da operação conforme divulgação da Polícia Federal. Datas anteriores conforme o arquivo do A Crítica e petição protocolada no STF.
Os citados são considerados inocentes até o trânsito em julgado de eventual condenação. Até o fechamento desta matéria, nenhum deles havia se manifestado publicamente sobre as buscas.
O A Crítica dá espaço igual a todos os candidatos e partidos. A cobertura eleitoral segue critérios jornalísticos, sem vinculação a campanha.
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