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Operação do MP investiga desvios de R$ 4,9 milhões em contratos da Santa Casa, maior hospital de MS

4 min de leitura
Operação do MP investiga desvios de R$ 4,9 milhões em contratos da Santa Casa, maior hospital de MS

Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital.

Nesta sexta-feira (11), o órgão deflagrou a Operação Antidotum para apurar as irregularidades. Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

A operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS).

🔎A Santa Casa de Campo Grande é um dos principais hospitais de Mato Grosso do Sul e referência no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição recebe pacientes de diferentes municípios do estado e oferece atendimentos de média e alta complexidade.

Segundo o MPMS, a investigação começou após suspeitas de irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para digitalizar prontuários médicos.

Contratos com empresas do mesmo grupo.

Durante a investigação, o Gecoc também identificou suspeitas de irregularidades em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.

Segundo o MPMS, os contratos foram firmados com várias empresas do mesmo grupo econômico. O proprietário delas teria ligação com integrantes da diretoria da Santa Casa.

As empresas também estariam registradas no mesmo endereço. Segundo a investigação, porém, o imóvel estava desocupado.

O MPMS afirma que o prejuízo total à Santa Casa ainda é calculado.

Contratos teriam sido escondidos de órgãos de controle.

Ainda segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de fiscalização. Entre eles estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

A apuração continua para identificar o valor total dos recursos que podem ter sido desviados e a participação de cada investigado.

Operação ocorre em meio a crise na Santa Casa.

A operação ocorre poucos dias após a Santa Casa de Campo Grande suspender cirurgias cardíacas pediátricas eletivas. Na terça-feira (8), foi divulgado que crianças que precisam desse tipo de procedimento pelo SUS em Mato Grosso do Sul poderiam ter que viajar para outros estados para serem atendidas.

A Santa Casa é referência nesse tipo de atendimento no estado. Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), é a única unidade credenciada pelo SUS em Mato Grosso do Sul para realizar cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade.

A suspensão dos procedimentos eletivos ocorre desde 29 de julho. Segundo o sindicato, atendimentos ambulatoriais também foram suspensos.

O presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana Silveira, afirmou que a situação preocupa porque a Santa Casa é o maior hospital de Mato Grosso do Sul e recebe pacientes de vários municípios.

Segundo o sindicato, a suspensão estaria relacionada principalmente à falta de materiais necessários para os procedimentos e ao atraso no pagamento de mais de 100 médicos contratados como pessoa jurídica.

Santa Casa diz que suspensão ocorreu por falta de equipe.

Na quinta-feira (10), a Santa Casa informou que comunicou à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em 3 de setembro, a suspensão temporária das cirurgias cardíacas pediátricas congênitas eletivas.

Segundo o hospital, a medida foi tomada pela falta de médicos especializados. Dos dois cirurgiões que atuavam no serviço, um está afastado por um problema grave de saúde e a outra profissional pediu rescisão do contrato.

A Santa Casa afirmou que a especialidade é de alta complexidade e que há poucos profissionais disponíveis, o que dificulta a recomposição da equipe. A instituição ressaltou que a assistência pediátrica continua funcionando e que os pacientes seguem sendo atendidos e acompanhados.

Atualmente, quatro crianças aguardam cirurgia.

O hospital também afirmou que a manutenção do atendimento pelo SUS depende do cumprimento das obrigações contratuais pelos órgãos públicos. Segundo a instituição, ainda há desequilíbrio financeiro no contrato, que afeta a manutenção de equipes, medicamentos e insumos.

O nome da operação vem do latim antidotum, que significa antídoto. A palavra é usada para definir uma substância capaz de neutralizar ou impedir a ação de algo nocivo.

No sentido figurado, também pode representar uma medida ou solução adotada para combater um problema.

Em números

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