São cinco, num universo de 757, no ciclo mais recente do Registro Público de Emissões da Fundação Getulio Vargas.
Lista completa
- Apenas cinco organizações de Mato Grosso do Sul, de um total de 757 no Brasil, publicaram inventários de emissões de gases de efeito estufa.
- A lista de empresas sul-mato-grossenses que reportam emissões cresceu lentamente, com o Grupo Pereira sendo a nova adição em 2025.
- Os inventários seguem a metodologia GHG Protocol, separando emissões em escopo 1 (diretas), escopo 2 (energia comprada) e escopo 3 (cadeia de valor).
- Eldorado Brasil Celulose e Sistema Fiems tiveram seus inventários auditados, enquanto Copasul, Grupo Pereira e Senai Empresa não.
- A Eldorado declarou 309,9 mil toneladas de CO₂ equivalente em emissões diretas, sendo a única com operação industrial pesada.
- Em 2025, a Eldorado registrou 1,5 milhão de toneladas a mais de emissão de CO₂ biogênico do que de remoção por suas florestas.
- A adesão ao Registro de Emissões é voluntária, mas o governo federal definirá setores obrigados a informar emissões no futuro mercado de carbono.
- Inventários são cruciais para estabelecer a linha de partida e decidir onde cortar as emissões de gases de efeito estufa.
Copasul, Eldorado Brasil Celulose, Grupo Pereira, Senai Empresa e Sistema Fiems publicaram os inventários referentes a 2025. A lista do Estado cresce devagar: era de uma organização em 2021, quando só a Eldorado reportava, passou a três em 2022 e ficou parada em quatro nos dois anos seguintes.
O nome novo é o Grupo Pereira, dono das redes Fort Atacadista, Comper e Sempre Fort, que declara no documento ser este o seu primeiro ciclo de reporte.
Os levantamentos seguem a metodologia do GHG Protocol e separam as emissões em três grupos. O escopo 1 reúne o que a própria organização queima ou libera, em caldeiras, fornos e frota.
O escopo 2 considera a energia elétrica comprada. O escopo 3 alcança a cadeia em volta: transporte contratado, resíduos, viagens de funcionários.
Duas passaram por auditoria, três não.
O Registro divide os participantes em três selos, e a diferença entre eles não é de desempenho ambiental, é de confiabilidade do número. Ouro exige inventário completo e verificação por um organismo externo acreditado pelo Inmetro.
Prata é o inventário completo sem auditoria. Bronze é o inventário parcial.
Eldorado e Fiems tiveram os documentos verificados pela DNV, certificadora de origem norueguesa fundada em 1864, e ficaram no Ouro. Copasul, Grupo Pereira e Senai Empresa ficaram no Prata: os números são declarados por elas mesmas, sem conferência de terceiros.
Entre as duas auditadas há ainda uma distinção que o próprio documento registra. A DNV atribuiu ao inventário da Eldorado o nível de confiança “razoável”, o mais alto da escala, e visitou a fábrica de Três Lagoas entre 10 e 12 de março deste ano.
O do Sistema Fiems recebeu o nível “limitado”, que afirma apenas não haver indício de erro material.
No país inteiro, 498 organizações ficaram com o Ouro, 237 com o Prata e 22 com o Bronze no ano-base 2025.
A Eldorado é a única das cinco com operação industrial pesada, e os números refletem isso. A empresa declarou 309,9 mil toneladas de CO₂ equivalente em emissões diretas em toda a organização.
A fábrica de Três Lagoas responde por 259,7 mil dessas toneladas; o restante vem das operações florestais e da logística. O escopo 3 chega a 313,9 mil toneladas, mais que o escopo 1.
Depois vêm o Grupo Pereira, com 24,1 mil toneladas em emissões diretas, e a Copasul, com 6,7 mil toneladas espalhadas por 34 unidades da cooperativa em MS, entre silos, fazendas, indústrias e postos.
O Sistema Fiems declarou 627,75 toneladas e o Senai Empresa, 22,13 toneladas.
Comparar esses valores entre si diz pouco. Uma fábrica de celulose, uma rede de atacarejo, uma cooperativa agrícola, uma federação patronal e um instituto de tecnologia não têm denominador comum de porte nem de atividade.
O que dá para comparar é o alcance de cada inventário. O do Senai Empresa cobre apenas a combustão da frota, no escopo 1, e viagens a negócios, no escopo 3; a entidade não relatou escopo 2.
O Sistema Fiems não relatou escopo 3, a parte da conta que costuma ser a maior e é a mais trabalhosa de levantar. Copasul, Grupo Pereira e Eldorado reportaram os três escopos.
O saldo que a Eldorado declara, e o que o ano de 2025 mostra.
No inventário, a Eldorado afirma que a companhia “possui saldo positivo acumulado de carbono, pois suas florestas removem mais CO₂ do que suas operações emitem”.
A frase trata do acumulado ao longo dos anos, e o documento anual não traz o cálculo desse estoque.
O que o inventário de 2025 traz, isoladamente, aponta em outra direção. No ano, a empresa registrou 7,29 milhões de toneladas de CO₂ biogênico emitidas, o carbono que sai da queima de madeira e resíduos de celulose, contra 5,79 milhões de toneladas removidas pelas florestas plantadas.
A diferença é de 1,5 milhão de toneladas a mais de emissão que de remoção. Esses valores entram em linha separada na metodologia e não somam ao total em CO₂ equivalente.
Nacionalmente, 757 organizações publicaram inventários com ano-base 2025, contra 700 no ano-base anterior, crescimento de 8,1%.
A adesão ao Registro é voluntária, e nenhuma das cinco de MS é obrigada por lei a divulgar esses números. Isso está mudando: o governo federal já definiu os setores que terão de informar suas emissões no futuro mercado regulado de carbono, começando por indústria pesada, petróleo, gás e transporte aéreo.
Em paralelo, o Estado abriu edital internacional para estruturar projetos de crédito de carbono em Mato Grosso do Sul.
Um inventário não reduz emissão nenhuma. Ele estabelece a linha de partida: sem saber de onde vem cada tonelada, não há como decidir onde cortar.
Valores declarados por cada organização no inventário de ano-base 2025. Escopo 2 pela abordagem de localização. Portes e atividades diferentes, sem comparação direta possível.
Ouro: inventário completo e auditado por um organismo de verificação externo, acreditado pelo Inmetro. No ano-base 2025 foram 498 no país.
Prata: inventário completo, sem auditoria externa. Foram 237.
Bronze: inventário parcial. Foram 22.
A auditoria também tem graus. O nível de confiança razoável afirma que o inventário está materialmente correto. O nível limitado afirma apenas que não há indício de erro material.
O inventário da Eldorado recebeu o razoável; o do Sistema Fiems, o limitado.
GHG Protocol: método internacional de contabilidade de emissões, adaptado ao Brasil pela FGV desde 2008. GHG é a sigla em inglês para gases de efeito estufa.
Escopo 1: o que a organização queima ou libera ela mesma, em caldeiras, fornos, frota própria e processos industriais.
Escopo 2: as emissões de quem gerou a energia elétrica que a organização comprou.
Escopo 3: o resto da cadeia, de transporte contratado a resíduos, viagens de funcionários e uso do produto vendido. É o mais difícil de medir e o mais fácil de deixar incompleto.
Tonelada de CO2 equivalente: unidade que converte todos os gases de efeito estufa para o efeito de aquecimento de uma tonelada de gás carbônico. Uma tonelada de metano, por exemplo, vale dezenas de toneladas de CO2 equivalente.
CO2 biogênico: o carbono que vem da queima de material vegetal, como cavaco de madeira e licor negro. Entra em linha separada do total, porque a planta havia retirado esse carbono da atmosfera antes.
Organismo de verificação: empresa independente, acreditada pelo Inmetro, que audita o inventário e assina uma declaração sobre a confiabilidade dos números.
Dados levantados por A Crítica nos inventários de ano-base 2025 publicados no Registro Público de Emissões da Fundação Getulio Vargas, consultados em 28 de agosto de 2026.
Os números são declarados pelas próprias organizações.
Em números
- A empresa declarou 309,9 mil toneladas de CO₂ equivalente em emissões diretas
- A fábrica de Três Lagoas responde por 259,7 mil dessas toneladas; o restante vem das operações fl
- O escopo 3 chega a 313,9 mil toneladas, mais que o escopo 1
- Depois vêm o Grupo Pereira, com 24,1 mil toneladas em emissões diretas, e a Copasul, com 6