Hoje é um "corredor de noias", diz moradora, reflexo do aumento de dependentes químicos na região.
Localizado na subida do Córrego Segredo, o Bairro Marcos Roberto existe há pelo menos 60 anos em Campo Grande. É atendido pela 121, linha de transporte coletivo mais antiga em operação na Capital, segundo a Agetran (Agência Municipal de Trânsito).
Pegando o micro-ônibus que sai do Centro a cada uma hora e é sofrido de esperar, se chega lá em cerca de 15 minutos.
O Bairro Marcos Roberto, em Campo Grande, com mais de 60 anos de existência, enfrenta crescente circulação de usuários de drogas vindos da vizinha Vila Nhanhá, considerada uma das regiões mais perigosas da capital.
Moradores relatam roubos, abandono de infraestrutura e ausência de posto de saúde e praça. O bairro também recebe imigrantes venezuelanos e abriga idosos que vivem com medo de sair de casa.
A prefeitura foi questionada sobre as demandas, mas não respondeu.
Apesar de ter ganhado um shopping como vizinho na última década, ficou sem a valorização sonhada e hoje enfrenta um problema que faz moradores quererem deixá-lo, e não é a lerdeza dos ônibus.
Na vizinhança também fica a Vila Nhanhá, que carrega a fama de ser um dos bairros mais perigosos da Capital. O problema mais sério do Marcos Roberto atualmente, segundo relatos dos moradores ouvidos pela reportagem, é que dependentes químicos estão saindo do bairro ao lado e circulando bastante por lá.
Dona de casa, ela chegou na região quando o pai comprou um terreno na Rua Maria Garcia, antiga Rua da Granja, há mais de 50 anos. Wilza não tem certeza, mas acha que o primeiro nome foi uma referência às criações que os japoneses faziam numa chácara que não existe mais.
O movimento no trecho é uma das principais memórias dela de um tempo mais tranquilo.
Quem também fazia compras lá era o motorista de aplicativo João Luiz Camargo, 62. Ele morava com os pais no Bairro Jóquei Club, na época, e ia a pé até a horta.
Naquele tempo a região era mais sossegada, ele reforça.
Depois de ser chácara, a propriedade virou estação de tratamento de esgoto. Agora tem casas, um terreno baldio que preocupa moradores e um muro que barra o acesso a um outro terreno enorme na parte de trás do shopping.
A dona de casa Ivanês Silva mora ali. “Nossa rua foi abandonada. Como não tem saída, tudo o que chove vai para um buraco que está sem grade porque levaram para trocar por droga, daí entope.
Sobrou esse terreno onde tem ladrão, tanto que já fui roubada três vezes. Eles pulam o muro e saem lá na Avenida Ernesto Geisel. Tinha cerca, mas derrubaram”, relata.
Rua Japão - A Rua Maria Garcia é uma das que cruzam com a Rua Japão, que fica no coração do bairro. Os moradores não sabem dizer se foi uma homenagem à presença de imigrantes.
Asfaltada, tem calçadas largas, pontos de ônibus e casinhas simples e com poucas modificações. A sua aparente tranquilidade é explicada pelo fato de a maioria dos moradores ser idosa e sair pouco de casa, inclusive por medo.
Depois da pandemia de covid-19, a rua virou um “corredor de noia”, diz a cabeleireira Lurdiléa Magalhães, 62. Há mais de 20 anos ela trabalha com o irmão num salão de beleza que resiste por lá.
Venezuelanos - O surgimento de vilas de casas e a adaptação de um salão para inquilinos morarem estão mudando a cara da Rua Japão.
As pequenas moradias hoje estão ocupadas por pessoas mais jovens, contrastando com os vizinhos mais velhos. Além disso, pelo menos três famílias venezuelanas chegaram recentemente.
Paola Diaz, 19, o companheiro e a cadela Negra são uma dessas famílias. Antes de chegarem ao Brasil, eles passaram pelo Equador, Peru e Bolívia. O casal tem um filho de quatro anos esperando o retorno dos pais para a Venezuela.
Os dois chegaram para trabalhar, juntar dinheiro e ajudar a família que segue no país em crise. O companheiro de Paola foi contratado para trabalhar na obra de uma construtora há alguns meses, mas pediu demissão porque considerava o salário baixo diante do peso da função e da jornada de trabalho.
Enquanto isso, a jovem foi contratada para a varrição da construção de um prédio, emprego que vai garantir o mínimo para pagar o aluguel e se alimentar.
Eles moram num salão que foi dividido em três moradias. A primeira foi ocupada por um venezuelano que ficou em situação de rua por um tempo e pediu ao proprietário que alugasse o espaço.
O dono mora na casa ao lado com a esposa. É o contador Diógenes Ribeiro, 63. Ele afirma que adaptou o salão com pias, torneiras, banheiros e cedeu colchões para que pudessem ficar.
Não cobrou garantias por ter se sensibilizado com a situação dos imigrantes.
Diógenes gosta do Marcos Roberto. Acha positiva a rapidez para ir de carro até o Centro e outros bairros. Ter supermercado e outros comércios próximos na Avenida das Bandeiras também é vantagem, para ele.
Mas ele também se diz preocupado com as pessoas em situação de rua que usam drogas.
Outras demandas - Fora mais segurança e ações de assistência social para recuperar os dependentes químicos, os moradores têm outras demandas.
O Marcos Roberto não tem um posto de saúde nem praça. A aposentada Maria Helena Fagundes Lourenço, 69, recebe a visita semanal da equipe de saúde da USF (Unidade de Saúde da Família) Jóquei Club para atender o marido acamado.
Porém, precisa ir até o bairro vizinho quando precisa de outra coisa.
O problema é que a idosa quase não sai. Afirma que vive praticamente presa em casa. “Tenho muito medo da parte de baixo, da Nhanhá. Minha irmã mora a três quadras e não vou sozinha nem na casa dela", relata.
A reportagem questionou a assessoria de imprensa da prefeitura sobre as demandas citadas pelos moradores do bairro.
Em relação à segurança Pública, informou que a Guarda Civil Metropolitana "intensificará as rondas na região do Marcos Roberto nos próximos dias" e ressaltou que o trabalho também é de responsabilidade da Polícia Militar.
O questionamento sobre saúde e lazer não foi respondido até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
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Fontes
Informação baseada em material público de Campo Grande News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.