Imagens mostram paredões de até cinco metros em área onde água deixou de correr.
O material foi registrado pelo jornalista Fábio Pellegrini, morador de Jardim, que entrou no leito exposto e percorreu pontos antes cobertos pela água. Em uma das áreas, a margem forma um paredão muito acima da altura dele, de 1,85 metro.
O repórter estima que o local abrigava um poço com três a quatro metros de profundidade.
As imagens também mostram uma formação de tufa calcária que ficava sob a influência direta do curso d'água. Esse tipo de rocha se forma com a deposição de minerais carregados pela água e é comum na região da Serra da Bodoquena.
Com a interrupção do fluxo, estruturas antes submersas ou cercadas pelo rio ficaram visíveis no trecho.
A dimensão da área sem água já havia sido constatada durante uma vistoria realizada na quinta-feira (27). O monitoramento apontou aproximadamente três quilômetros de leito seco e encontrou peixes isolados em poças remanescentes.
A equipe decidiu acompanhar os animais diante da previsão de chuva e poderá organizar a retirada caso o nível continue a cair.
A interrupção não significa que todo o Rio da Prata tenha secado. Há água antes da Ponte do Curé e o curso volta a correr mais adiante, abastecido por outras nascentes e pela contribuição do Rio Olho d'Água.
Os atrativos turísticos que utilizam trechos com fluxo regular continuam em funcionamento.
O problema se repete pelo terceiro ano consecutivo na mesma região. Em setembro de 2025, cerca de sete quilômetros do Rio da Prata chegaram a ficar quase ou totalmente sem água nas proximidades da Ponte do Curé e da MS-178.
Os primeiros sinais apareceram no início daquele mês, e a redução do volume deixou peixes e outros animais aquáticos presos em áreas isoladas.
Em 2024, aproximadamente seis quilômetros do curso d'água também secaram durante a estiagem. A situação exigiu operações para retirar peixes que ficaram concentrados em poças e começou a melhorar somente com o retorno das chuvas, em novembro.
A repetição dos episódios colocou a redução do volume do Rio da Prata sob investigação ambiental.
Naquele ano, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) passou a apurar as causas da seca. Relatório apresentado pela PMA (Polícia Militar Ambiental) relacionou o cenário à estiagem prolongada e também levantou a hipótese de influência de drenos construídos nas cabeceiras do rio.
O acompanhamento busca identificar os fatores que contribuem para a interrupção recorrente do fluxo.
O Rio da Prata integra a bacia do Rio Paraguai e corta uma das principais áreas de ecoturismo da Serra da Bodoquena. Suas águas transparentes sustentam atividades de flutuação e uma biodiversidade aquática conhecida nacionalmente.