Depois de cerca de três décadas, o Honda Prelude está de volta ao mercado brasileiro. O cupê esportivo chega em sua sexta geração com uma receita bem diferente daquela que marcou sua passagem pelo país nos anos 1990: agora, o modelo é híbrido, tem 203 cavalos de potência e incorpora tecnologias desenvolvidas para preservar a esportividade mesmo sem um câmbio convencional.
O modelo já havia sido apresentado ao público brasileiro no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025. O retorno também resgata um nome que ganhou popularidade no país nos anos 1990, inclusive com campanhas publicitárias protagonizadas pelo tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna.
O conjunto mecânico combina um motor 2. 0 a gasolina, de ciclo Atkinson e injeção direta, com dois motores elétricos. A potência combinada chega a 203 cv, enquanto o torque é de 32,1 kgfm.
A configuração é semelhante à utilizada pelo Civic híbrido, mas o Prelude recebeu uma preparação diferente para entregar comportamento mais esportivo. A principal novidade nesse sentido é o sistema S+ Shift.
Como o modelo não utiliza um câmbio convencional, a tecnologia simula eletronicamente trocas de marchas, incluindo alterações na resposta do acelerador, na sonoridade e nas informações exibidas no painel.
As trocas simuladas também podem ser comandadas pelas borboletas atrás do volante.
A Honda criou o sistema para aproximar a experiência de condução de um carro equipado com transmissão de dupla embreagem, mesmo utilizando uma arquitetura híbrida.
Se o motor vem da família híbrida do Civic, boa parte da personalidade dinâmica do Prelude foi buscada em outro integrante da linha Honda: o Civic Type R.
O cupê é o primeiro modelo da marca a combinar o sistema híbrido da Honda com a arquitetura de chassi de alto desempenho do Type R. A suspensão é independente, com solução de duplo eixo na dianteira e multilink na traseira, além de amortecedores adaptativos.
O sistema de freios também tem inspiração no esportivo. Na dianteira estão discos de 350 milímetros e pinças Brembo monobloco de quatro pistões. As rodas são de 19 polegadas, com pneus 235/40 R19.
A diferença está na proposta. Enquanto o Civic Type R é claramente direcionado ao desempenho, o Prelude busca um equilíbrio entre esportividade e conforto para utilização cotidiana.
São quatro modos de condução: Comfort, GT, Sport e Individual.
O Prelude mantém a configuração de cupê de duas portas, com quatro lugares no formato 2+2. O desenho tem capô longo, teto baixo e traseira curta, características que ajudam a diferenciá-lo dos SUVs e sedãs que dominam o mercado brasileiro.
O teto utiliza o chamado formato de “bolha dupla”, enquanto elementos aerodinâmicos foram incorporados ao desenho da carroceria.
Por dentro, o modelo tem painel digital de 10,2 polegadas e central multimídia de 9 polegadas, com Apple CarPlay e Android Auto. O pacote inclui ainda carregador de celular por indução e sistema de som Bose.
Os bancos dianteiros têm formato esportivo e revestimento que combina couro e tecido perfurado. A configuração traseira pode ser rebatida, ampliando a capacidade de carga do porta-malas.
Apesar da proposta esportiva, o Prelude mantém uma das principais vantagens de um sistema híbrido: a eficiência.
De acordo com os dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o modelo registra consumo de 17,9 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada. A bateria é recarregada pelo próprio sistema e não há necessidade de conexão externa para carregamento.
A Honda ainda não divulga oficialmente números de aceleração de 0 a 100 km/h ou velocidade máxima para o modelo vendido no Brasil.
O Prelude chega equipado com o pacote Honda Sensing, que reúne recursos como frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa e alerta de ponto cego.
A garantia é de seis anos, sem limite de quilometragem. Para a bateria e os motores elétricos, a cobertura é de oito anos ou 160 mil quilômetros.
O modelo está disponível nas cores Crystal Black Pearl, Rallye Red e Moonlit White Pearl.
Mais do que recuperar um nome conhecido, a Honda usa o Prelude como uma espécie de vitrine para mostrar que a eletrificação pode seguir por um caminho diferente.
O modelo troca parte da receita tradicional dos esportivos — motor forte e câmbio convencional — por eletrificação, mas tenta preservar aquilo que sempre esteve no centro da história do Prelude: a relação entre carro e motorista.
É justamente aí que está a importância desse retorno. Em um mercado brasileiro cada vez mais dominado por SUVs e modelos eletrificados, o Prelude chega como uma exceção: um cupê de duas portas, caro e de produção importada, que não tenta disputar volume de vendas.
Seu papel é outro — mostrar que, mesmo na era dos híbridos, ainda há espaço para um carro feito para ser desejado e, principalmente, para ser dirigido.
Em números
- Com os dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o modelo registra consumo de 17,9 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada
- A Honda ainda não divulga oficialmente números de aceleração de 0 a 100 km/h ou velocidade máxima para o modelo vendido no B
- Para a bateria e os motores elétricos, a cobertura é de oito anos ou 160 mil quilômetros
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