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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Há 50 anos juntos, casal trocou Okinawa pelas bancas do Mercadão

Sylvio Shojin Fukuchi, de 86, e Eliza Eiko Fukuchi, de 80, fazem tudo juntos, até se sentarem nas cadeiras floridas da sala para contar a história que constr...

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Há 50 anos juntos, casal trocou Okinawa pelas bancas do Mercadão

Sylvio Shojin Fukuchi, de 86, e Eliza Eiko Fukuchi, de 80, fazem tudo juntos, até se sentarem nas cadeiras floridas da sala para contar a história que construíram antes e durante os 50 anos de casamento.

Sylvio e Eliza criaram os filhos entre madrugadas no Ceasa e verduras frescas.

Sylvio veio de Okinawa, no Japão, e a família de Eliza também, mas foi no Mercadão Municipal que eles se conheceram e resolveram passar o resto da vida juntos. Além da origem, o que uniu o casal foram os legumes e verduras.

As duas famílias eram donas de barraquinhas por lá e não demorou para que se unissem e continuassem vendendo o que amavam. O trabalho foi compartilhado até 2020, quando a pandemia começou.

O filho implorou para que eles vendessem a barraca. Depois disso, foi só descanso e passeios no shopping. Com a mobilidade reduzida, os passeios acontecem com ajuda de andadores, mas nada impede os dois de curtirem.

Tímido, Sylvio conta que os pais vieram para o Brasil fugidos da 2ª Guerra Mundial, que chegou em Okinawa. A cidade foi palco de uma das batalhas mais violentas do Pacífico, quando tropas dos Estados Unidos desembarcaram na ilha em abril de 1945.

Após a rendição do Japão, a região passou a ser administrada estadunidenses e se tornou um importante ponto militar deles.

Nesse período, ele foi proibido de falar na língua materna. Os Estados Unidos exigiam que os cidadãos falassem apenas em japonês. Sylvio viveu lá até os 10 anos e foi o suficiente para manter a língua viva com ele.

A administração estadunidense em Okinawa durou até 1972, quando a ilha foi devolvida ao Japão.

Sylvio relembra que, ao chegar aqui, a família passou por diferentes lugares em Campo Grande, inclusive uma colônia com 20 famílias. Por lá, as enchentes eram constantes e fizeram com que eles buscassem outro local para morar.

A rotina era simples e difícil: água de poço, roupas lavadas em uma lagoa e noites iluminadas por lampiões. Eles começaram a trabalhar na lavoura e, depois, passaram a cultivar verduras.

A família comprou uma chácara pequena para trabalhar com plantação e depois se mudou para a cidade.

Quando o casal se conheceu, ele tinha 29 e ela 35 anos. Namoraram um ano e depois se casaram em 1975. Tiveram um casal de filhos e hoje têm 3 netos. Eliza conta que viveram uma vida sofrida, enfrentando frio e chuva para levar os filhos para trabalhar junto com eles.

Mais falante que o marido, ela relembra como a vida começou a melhorar. Nos tempos áureos, eles tiveram 7 bancas no Mercadão. “Ficamos todo esse tempo trabalhando com verduras e legumes.

Nossa barraca ficava no corredor central, perto dos açougues. Só saímos de lá por causa da pandemia. Eu ainda queria continuar trabalhando”.

A rotina começava às 3h da manhã, quando eles iam até o Ceasa (Centrais de Abastecimento) comprar os insumos para vender. No dia em que saíam mais cedo do trabalho, o relógio já marcava 20h.

De imediato, a vida antiga volta à memória dela. Ela conta que, às 6h, tudo deveria estar pronto para a venda na banca. Quando a freguesia chegava, eles ficavam felizes.

Gostavam de agradar os clientes e de ter tudo fresquinho e limpo. Para Eliza, o diferencial deles era isso, além da mandioca que vendiam descascada e lavada.

Fontes consultadas

  • Campo Grande Newslink