Moradia digna, combate à violência contra as mulheres, reforma agrária, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e fim da escala de trabalho 6×1 estiveram entre as principais reivindicações.
O lema deste ano foi “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Os participantes também cobraram educação pública de qualidade, enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia e medidas de proteção à democracia.
As mobilizações ocorreram no mesmo dia das comemorações da Independência do Brasil e reuniram diferentes movimentos, organizações populares e participantes ligados a pautas sociais, ambientais e de direitos humanos.
Moradia esteve entre principais pautas em São Paulo.
Na capital paulista, os participantes percorreram ruas da região central e encerraram a manifestação com uma missa na Catedral da Sé dedicada à população em situação de rua.
Antes da caminhada, houve um café da manhã comunitário.
A ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, relacionou a discussão sobre liberdade às condições de vida de pessoas que ainda não têm moradia.
O coordenador do cursinho Educafro, Frei David Santos, também participou do ato e defendeu a democracia e a proteção do processo eleitoral contra interferências econômicas.
Entre os manifestantes estava Deuza Cordeiro de Lima, que protestou contra a violência policial. O filho dela, Thiago, morreu em janeiro de 2023, na região central de São Paulo.
A defesa da moradia também levou Célia Souza ao ato. “Eu vim hoje pela luta. Por moradia, que é algo cuja importância é a mais básica, da qual não podemos abrir mão”, disse.
Teatro e protestos marcaram ato no Rio.
No Rio de Janeiro, a manifestação começou depois do Desfile de Sete de Setembro e percorreu a Avenida Presidente Vargas, uma das principais vias do centro da cidade.
Um grupo da Escola de Teatro Popular realizou apresentações durante a caminhada, abordando soberania nacional e democracia. A ação foi coordenada pelo pesquisador e dramaturgo Julian Boal, filho de Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido.
Segundo Julian, as apresentações buscaram discutir a participação política para além das eleições. “O que a nossa cena tentou fazer é recolocar a questão de qual é o peso das instituições.
Tentar discutir que dentro das instituições a gente pode fazer muita coisa, mas que o nosso todo é muito maior do que aquelas eleições podem colocar”, afirmou.
A pauta da moradia também teve espaço no protesto carioca. O coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, Ricardo Pitta, criticou a situação de moradores ameaçados de despejo e afirmou que mobilizações populares são necessárias para dar visibilidade às demandas de grupos vulneráveis.
Durante o percurso, manifestantes também criticaram as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, defenderam o fim da escala 6×1 e exibiram fotos de vítimas da Ditadura Militar, ocorrida entre 1964 e 1985.
Um globo cenográfico de aproximadamente três metros de altura chamou atenção para questões ambientais.
Em determinado momento, cerca de 15 pessoas se aproximaram dos participantes e tentaram hostilizá-los com gritos. Policiais militares que acompanhavam o trajeto intervieram, e o grupo se afastou sem registro de confusão.
Crise ambiental entra na pauta em Brasília.
Na capital federal, integrantes do Núcleo de Ecologia Integral de Brasília levaram ao ato discussões sobre crise ambiental, justiça social e responsabilidade política.
A economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo defendeu mudanças na relação com os recursos naturais. “O planeta está sendo destruído e se não mudarmos a política ecológica, a forma como estamos tratando nossa casa comum, usando os recursos naturais da forma como estamos gastando, logo não teremos mais onde habitar”, afirmou.
Durante a manifestação, o grupo apresentou uma carta de compromisso sobre ecologia integral que pretende entregar a candidatos nas eleições deste ano. O documento foi elaborado a partir de um seminário e reúne propostas em quatro eixos: políticas agrícolas e fundiárias, política urbana e resíduos no Distrito Federal e Entorno, Justiça Climática e Proteção às Vítimas e proteção da nascente da Estação Ecológica de Águas Emendadas.
Segundo a engenheira florestal Ana Clara Botafogo, depois das eleições uma cópia também será entregue aos candidatos eleitos, independentemente da posição ideológica.
A professora universitária Altaci Kokama destacou que o Grito dos Excluídos funciona como espaço para apresentação de reivindicações de pessoas que enfrentam dificuldades de acesso a moradia, trabalho, alimentação e justiça.
Ela também apontou dificuldades para ampliar a participação de pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente pela necessidade de recursos para transporte e alimentação.
Segundo os organizadores, a edição deste ano reuniu manifestações em mais de 50 cidades brasileiras, com pautas que passaram por direitos sociais, proteção ambiental, enfrentamento à violência e participação política.
Em números
- Em determinado momento, cerca de 15 pessoas se aproximaram dos participantes e tentaram hosti
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