Nova fase da operação Carbono oculto investiga a infiltração do crime organizado na economia.
Lista completa
- Compra legal do metanol: o produto era adquirido legalmente por empresas autorizadas a comercializá-lo.
- Destino informado nas notas: os documentos fiscais indicavam que as cargas seriam destinadas à produção de biodiesel ou à fabricação de produtos químicos.
- Desvio das cargas: segundo o MP, o metanol era desviado do destino declarado e levado para postos e empresas ligadas ao setor de combustíveis.
- Adulteração: o produto era misturado irregularmente à gasolina ou ao etanol.
- Falsificação de documentos: empresas e transportadoras teriam utilizado notas fiscais e outros documentos falsos para dificultar o rastreamento das cargas e ocultar a operação.
- Lavagem do dinheiro: os valores obtidos com o esquema passariam por empresas, instituições de pagamento e fundos de investimento para esconder sua origem.
O empresário César Cirne Leal, que atua em Dourados (MS), é um dos alvos da Operação Carbono Oculto. A investigação apura um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro com supostas conexões com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Conforme a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPMS), o empresário teria usado a filial da refinaria OREONN, em Dourados, para lavar o montante do dinheiro.
O g1 entrou em contato com a empresa do investigado, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. A defesa de César não foi encontrada.
Além do empresário, a Justiça de São Paulo recebeu a denúncia contra outros 15 investigados no dia 18 de agosto. Os detalhes da operação foram divulgados nesta quarta-feira (26).
César Cirne Leal é apontado como o responsável pela Oreonn – Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Químicas Ltda., que tem uma filial em Dourados.
Conforme as investigações, embora a Oreonn funcionasse regularmente, César usava a empresa para regularizar, por meio de documentos, a compra de metanol com líderes do esquema.
O metanol destinado à filial de Mato Grosso do Sul era, na verdade, desviado para postos de combustíveis no estado de São Paulo.
A denúncia obtida pelo g1 aponta que o empresário realizava transações simuladas com empresas de fachada registradas em nome de "laranjas". O objetivo era ocultar a origem do dinheiro que, segundo o Ministério Público, vinha das atividades da organização criminosa.
O Ministério Público sustenta que César participou diretamente da ocultação de valores milionários, tanto de forma pessoal quanto por meio das empresas que administrava.
Mais de 10,8 milhões de litros de metanol.
Como exemplo das operações, a força-tarefa aponta que a filial da Oreonn em Dourados comprou 10. 827. 108 litros de metanol entre janeiro e agosto de 2025.
🔎O metanol é um produto químico usado em processos industriais, mas também serve para adulterar combustíveis. A substância é altamente tóxica e sua ingestão pode ser fatal.
Entre as acusações relacionadas a Cesar também estão a suposta emissão de duplicatas falsas e crimes contra a ordem tributária na esfera federal.
Segundo o documento, ele seria alvo de investigação da Polícia Federal em razão de supostas discrepâncias entre as movimentações da empresa, a receita declarada e os créditos efetivamente identificados.
Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de São Paulo, os 16 investigados foram denunciados por crimes relacionados à adulteração de combustíveis, falsidades documentais, fraudes contra o consumo, crimes fiscais e conexão com outras organizações criminosas independentes.
Conforme os promotores de Justiça, os denunciados teriam integrado, promovido ou financiado uma organização criminosa voltada ao desvio de metanol, à adulteração de combustíveis e à lavagem de dinheiro.
Beto Louco' também está entre os denunciados.
Entre os denunciados está ainda o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, apontado pelo Ministério Público como um dos principais financiadores do esquema.
Segundo a denúncia, ele teria utilizado empresas como Aster, Copape e Duvale para movimentar recursos milionários relacionados às atividades investigadas.
A defesa de Roberto Augusto Leme da Silva afirma que não teve acesso aos autos até o momento e sustenta que os fatos tratados na denúncia não têm qualquer relação com o empresário.
Como funcionava o esquema, segundo o MP.
Segundo a denúncia, a organização atuava da seguinte forma.
Segundo o Ministério Público, parte dos recursos era movimentada por meio da BK Instituição de Pagamento e de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
O nome do Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece de forma contextual na investigação, principalmente em relação a Admar de Carvalho Martins, conhecido como “Dema”.
Segundo o MP, ele é investigado em outro processo por supostos vínculos societários e empresariais com pessoas apontadas como integrantes da facção.
Nesta denúncia, porém, não há acusação formal de que os 16 denunciados integrem o PCC nem de que o esquema de desvio de metanol e adulteração de combustíveis fosse uma operação da facção.
Em números
- Mais de 10,8 milhões de litros de metanol
- Carbono Oculto: empresário movimentou R$ 291 milhões em esquema de metanol ligado ao PCC em MS