A Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês) lançou, com sucesso, nesta quinta-feira (3), o satélite de observação da Terra EOS-05, a bordo do foguete GSLV-F17.
- O grande diferencial do EOS-05 é sua órbita de operação. O equipamento é o primeiro satélite de imageamento da Índia projetado para funcionar a partir de uma órbita geossíncrona.
- A uma altitude de aproximadamente 36 mil quilômetros, o satélite poderá manter uma visão praticamente contínua de uma mesma região do planeta.
- Isso é diferente do funcionamento da maioria dos satélites de observação da Terra, que ficam em órbitas mais baixas e passam periodicamente sobre as áreas que precisam ser monitoradas.
- A posição permitirá ao EOS-05 acompanhar continuamente o território indiano e regiões próximas, criando uma espécie de “olho no céu” permanente sobre o país.
- Essa capacidade pode ser particularmente útil para o acompanhamento de fenômenos que mudam rapidamente e exigem observação frequente.
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A missão coloca em órbita um equipamento que representa um avanço importante para a capacidade indiana de monitorar o próprio território a partir do espaço.
O lançamento ocorreu às 2h55 no horário local (18h25 no horário de Brasília), a partir da Segunda Plataforma de Lançamento do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, no Estado de Andhra Pradesh.
O GSLV-F17 colocou o EOS-05 na órbita de transferência subgeossíncrona planejada para a missão. A partir dessa trajetória inicial, o satélite deverá realizar manobras para alcançar sua posição operacional.
Segundo a ISRO, o GSLV-F17 é o 19º voo do Geosynchronous Satellite Launch Vehicle (GSLV). O foguete utilizado na missão tem carenagem de quatro metros de diâmetro na configuração ogiva composta.
Primeiro satélite de imageamento geoestacionário da Índia.
A capacidade de observar uma grande área continuamente pode ser utilizada para diferentes aplicações de observação da Terra, incluindo monitoramento meteorológico, acompanhamento de desastres naturais, agricultura e identificação de mudanças em larga escala.
A vantagem está na possibilidade de acompanhar a evolução de determinados fenômenos sem depender da passagem periódica de um satélite sobre a região.
Em situações de desastre, por exemplo, imagens frequentes podem ajudar a acompanhar a evolução de uma área afetada e fornecer informações para ações de resposta.
Satélite também é conhecido como GISAT-1A.
O EOS-05 também é identificado como GISAT-1A e faz parte da série de satélites de imageamento geossíncrono planejada pela Índia.
O projeto representa uma retomada de uma iniciativa que sofreu um revés em 2021. Naquele ano, o primeiro satélite da série, então identificado como GISAT-1 ou EOS-03, não conseguiu alcançar a órbita durante o lançamento.
O EOS-05 foi desenvolvido para recuperar essa capacidade e levar adiante a proposta de manter um satélite de imageamento em uma órbita geossíncrona.
O lançamento também marca o retorno da ISRO às atividades espaciais após um intervalo de vários meses. A missão ocorre em momento importante para o programa espacial indiano, que busca ampliar sua infraestrutura de observação da Terra.
Depois de ser colocado na órbita de transferência, o EOS-05 deverá utilizar seu próprio sistema de propulsão para elevar gradualmente sua órbita até a posição geossíncrona prevista.
Quando estiver em sua posição final, o satélite poderá permanecer acompanhando continuamente a mesma área, em vez de simplesmente sobrevoá-la em intervalos regulares.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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