Filmado em quatro países e três continentes, o filme combina depoimentos de nomes do montanhismo mundial com imagens de expedições realizadas em condições extremas.
Nasci em meio à escassez, na caatinga sertaneja, acreditando que o trabalho poderia me levar para uma vida diferente", diz Alexandre. "Mas nunca imaginei que chegaria tão longe a ponto de minha história virar um filme.
E, como a história é boa, a coluna foi ouvir o que Alexandre tem a contar.
O que levou o menino de Monsenhor Tabosa, no Ceará, a decidir ir para o Everest.
Eu tinha 9 anos de idade, morava num lugar longe, seco, com muita miséria. Um dia, um médico da cidade que tinha morado na Europa levou um alemão para visitar minha cidade.
Aquele momento foi como ver um extraterrestre. Eu sou indígena, minha mãe é indígena, todos eram assim por lá. Aí apareceu na minha frente aquele cara branquinho, de olho azul, cabelo encaracoladinho, só podia ser um extraterrestre.
Eu o ouvia conversando com o médico e perguntei por que ele não sabia falar.
Não, o médico me explicou que o que ele falava era outro idioma. Eu não sabia o que era idioma. Explicou que era o que pessoas de outros países falavam. Eu não sabia o que eram países.
Aí explicou que a Terra, redonda como uma bola de futebol, tinha vários países. Aquilo foi uma pancada na minha cabeça, eu acreditava que a Terra era plana, imagine, era um terraplanista de 9 anos no interior do nordeste, para quem o sol girava ao redor de Monsenhor Tabosa.
Quando o médico foi me dando aquela aula de geografia, eu ainda duvidei, me perguntava como as pessoas não caíam da parte de baixo da bola. Aquela chave que virou e me fez entender o tal mundo redondo, fez nascer minha paixão.
Em todos os meus escritórios e cômodos da minha casa, hoje, tenho um globo terrestre. E mesmo sem saber o que era um propósito, naquele dia eu estabeleci um propósito para minha vida: viajar para conhecer tudo aquilo.
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