Cavan Sullivan não fez uma pausa neste verão, mesmo quando seu time, o Philadelphia Union, aproveitou algumas semanas de folga —mais do que necessárias— durante a Copa do Mundo.
A primeira metade da temporada havia sido um desastre. O Union caiu do primeiro lugar em 2025 para o 30º em 2026, e o técnico Bradley Carnell foi demitido quando a equipe entrava em recesso para as férias de verão.
Depois de conquistar uma vaga entre os titulares da equipe principal, Sullivan, de 16 anos, disse ao Union que queria continuar jogando e pediu para seguir treinando com o time B.
Acompanhado de perto pelos holofotes desde os 13 anos, em partidas das categorias de base, e já com uma transferência acertada para o Manchester City quando completar 18 anos, daqui a dois anos, Sullivan pediu para voltar ao time B, em vez de treinar sozinho ou tirar folga.
Durante a Copa do Mundo, ele foi uma fera na maneira como treinava", disse Jon Scheer, diretor esportivo do Union, ao The Athletic.
O Union II tinha um amistoso marcado contra a Costa do Marfim, que estava concentrada na região para a Copa do Mundo. Sullivan pediu para jogar também —e se destacou.
Chegou até a publicar nas redes sociais uma compilação de seus melhores momentos.
Desde que a equipe voltou aos treinos, com Ryan Richter, técnico do time B, promovido a comandante interino da equipe principal, o Union decolou. Venceu seus quatro jogos na MLS, todos com Sullivan desempenhando um papel central, incluindo duas assistências na vitória por 3 a 2 sobre o New York City FC, no domingo.
Sullivan passou de jovem promessa a peça fundamental em todos os aspectos do jogo —não apenas por sua habilidade deslumbrante e objetividade com a bola, mas também sem ela, em uma equipe intensa, enérgica e adepta da pressão.
É disso que mais me orgulho no Cavan: ele fica feliz quando vencemos e, quando perdemos, não fica satisfeito, independentemente de como tenha jogado", disse Scheer.
É um ótimo sinal para os próximos anos.
Não é preciso assistir a Sullivan por muito tempo para se deixar contagiar pelo entusiasmo.
Ele vem recebendo minutos com mais regularidade e, desde o início de maio, acumulou quase 50% de todo o tempo que já disputou como profissional. Isso tem lhe dado mais oportunidades para impressionar, e Richter já viu o suficiente para demonstrar que confia na capacidade de Sullivan de fazer a diferença no terço final do campo.
Toda vez que a jogada passa por Sullivan, fica a sensação de que algo pode acontecer. Ele é revigorantemente direto, um ponta elétrico que não teme encarar os defensores e consegue mudar de direção para a esquerda ou para a direita com passadas curtas e arrancadas devastadoras.
Ele tem jogado com muita objetividade e confiança", disse Scheer, ao comentar seu sucesso recente na equipe principal. "Conquistou tudo o que conseguiu até agora e quer mais.
Em uma recente vitória de virada sobre o Atlanta United, por exemplo, ele recebeu um passe do lateral Kai Wagner e imediatamente partiu para cima de seu marcador.
Seu primeiro toque foi agressivo, e ele não hesitou antes de dar uma finta de corpo e disparar em direção à linha de fundo, apostando na velocidade para superar o defensor.
O caminho foi bloqueado, mas ele enganou o marcador, cortou para dentro e deu um passe para Jovan Lukic na entrada da área.
Nem cinco minutos depois, ele se deslocou para um espaço livre no lado oposto, gingando para os dois lados antes de cortar para dentro e bater rasteiro em direção ao canto oposto.
Sullivan ainda não marcou de fora da área no futebol profissional, mas os primeiros indícios mostram que ele tem potência nos chutes de longa distância e acerta a bola com consistência.
Tampouco hesita em arriscar essas finalizações.
Diante de sua postura positiva e de seu entusiasmo juvenil, é compreensível que Sullivan esteja sujeito a erros.
Ele está ansioso para deixar sua marca, e isso se reflete nas estatísticas: cerca de 1 em cada 4 passes de Sullivan é considerado progressivo —um passe que leva a bola pelo menos 25% para mais perto do gol adversário—, enquanto quase 9% de suas conduções incluem uma tentativa de drible.
Grande parte do que ele faz tem o propósito de atacar o adversário, o que às vezes pode levá-lo a exagerar nas jogadas e forçar demais.
Em um lance contra o Atlanta, no início do primeiro tempo, ele segurou a bola por tempo demais pelo lado do campo, ignorou a ultrapassagem de um companheiro e perdeu a posse ao tentar uma pedalada a mais.
Contra o Seattle, provocou a irritação de seu companheiro e irmão mais velho, Quinn Sullivan, de 22 anos, que estava na segunda trave, ao optar pela jogada individual, abrir-se demais e finalizar para uma defesa fácil.
A tomada de decisão de Cavan Sullivan pode ser aprimorada, mas sempre vale a pena dar a jogadores talentosos como ele a liberdade para causar impacto, sobretudo em uma idade tão jovem.
Estou muito satisfeito com o trabalho de Ryan e da comissão técnica", disse Scheer. "Eles permitiram que Cavan fosse diferente e especial em certos momentos da partida, sem deixar de exigir que ele cumpra os padrões e as expectativas da equipe, seja na marcação, seja em alguns aspectos do posicionamento com a bola.
Considerando sua habilidade natural no drible e seus chutes potentes a gol, contribuições ofensivas significativas devem começar a surgir em maior número em breve.
Por melhor que esteja jogando para alguém tão jovem, ele ainda tem mais a oferecer", disse Scheer. "E ele sabe disso. Ele quer evoluir.
Cavan só quer ser o melhor que puder —é assim que encara cada treino e cada jogo, independentemente de quem esteja ao seu lado. Isso vai levá-lo longe.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Esporte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.