O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas exercendo o seu trabalho principal ou secundário por meio de aplicativos de serviços em 2025, apontam dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
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O grupo reúne motoristas, entregadores e outros profissionais cadastrados em diferentes plataformas. Apps como Uber, 99 e iFood são exemplos que ganharam espaço nas ruas ao longo dos últimos anos.
Segundo o IBGE, mais da metade da mão de obra classificada como plataformizada atuava no transporte particular de passageiros diferente de táxi (1,1 milhão ou 53,9%).
Na sequência, vieram os trabalhadores de aplicativos de entrega de comida e outros produtos (585 mil ou 29,9%), de prestação de serviços gerais (313 mil ou 16%) e de táxi (232 mil ou 11,8%).
Uma mesma pessoa pode exercer mais de uma atividade.
Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O levantamento também investigou o tema em 2022 e 2024.
Conforme a Pnad, os trabalhadores plataformizados têm jornadas semanais mais extensas do que outros profissionais e contribuem menos para a Previdência via INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O IBGE afirma que os aplicativos geram renda para muitas pessoas e oportunidade de novos mercados e redução de custos para empresas, mas, por outro lado, representam um desafio importante no que se refere às condições laborais.
ALTA DE QUASE 37% NO TRABALHO PRINCIPAL.
Do total de 2 milhões de plataformizados, uma parcela de 1,8 milhão recorria aos serviços do tipo para o trabalho principal (92,1%).
Esse contingente de 1,8 milhão cresceu 36,8% se comparado a 2022, quando estava em 1,3 milhão. O acréscimo foi de 486 mil pessoas no intervalo de três anos. Isso equivale a mais de seis Maracanãs –a capacidade de público do estádio carioca é de 78,8 mil torcedores.
Os 2 milhões de plataformizados também são compostos por 182 mil que usam os apps para o trabalho secundário. É o caso, por exemplo, de quem atua como motorista ou entregador de aplicativo para complementar a renda de outro emprego.
Uma parcela menor, de 28 mil, utilizava as plataformas tanto para a atividade principal quanto para a secundária em 2025.
Esta foi a primeira vez que o IBGE incluiu o trabalho secundário na pesquisa. Como o quesito não foi investigado em 2022 e 2024, não é possível comparar a evolução do contingente total de plataformizados.
Os cerca de 2 milhões de profissionais do tipo representavam 1,9% do total da população de 14 anos ou mais ocupada com algum trabalho no ano passado (102,4 milhões).
A proporção é maior no Sudeste (2,4%) e menor no Sul e no Norte (1,4%).
O número de trabalhadores de aplicativos supera a população inteira de um município como Curitiba (1,8 milhão). A capital paranaense é a oitava cidade mais populosa do Brasil.
JORNADA MAIS LONGA E CONTRIBUIÇÃO MENOR PARA INSS.
Em média, os profissionais com trabalho principal nos apps tinham jornada de 44,7 horas por semana em 2025. São 5,4 horas a mais do que a média dos demais ocupados no país no setor privado (39,3 horas).
Outra diferença aparece na cobertura previdenciária do INSS. Em 2025, a parcela de contribuintes era de apenas 34% entre a mão de obra que usava os aplicativos como trabalho principal.
É quase a metade da proporção registrada entre os profissionais do setor privado não plataformizados (63%). Segundo o IBGE, a contribuição para órgãos de previdência privada não é levada em conta na pesquisa.
A informalidade alcança 72,1% dos trabalhadores de aplicativos. Trata-se de um percentual superior ao encontrado na mão de obra fora das plataformas (42,7%).
Somente 19,4% dos motociclistas que trabalhavam por meio de apps estavam cobertos pela Previdência em 2025 –o equivalente a 1 em cada 5. O percentual foi de 37,1% entre os não plataformizados.
Entre os motoristas de carros, a cobertura previdenciária alcançou apenas 25,5% dos vinculados a aplicativos (1 em cada 4) e 59,2% da categoria fora das ferramentas.
Conforme o IBGE, os dados mostram que uma pequena parcela desses plataformizados tinha acesso à seguridade social, embora eles estejam expostos a acidentes de trânsito e outros riscos.
A situação se inverte entre as pessoas que estudaram menos.
Outra métrica analisada é a renda média do trabalho principal por mês.
A diferença entre os dois grupos é a trajetória recente. Em relação a 2024, o rendimento médio mensal dos trabalhadores plataformizados ficou estagnado, enquanto o dos demais ocupados no setor privado aumentou 4,1% em termos reais.
Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE, afirma que a Pnad não identificou ganhos salariais entre condutores de automóveis e motocicletas por aplicativo em 2025.
Uma possível explicação para a estabilidade, segundo ele, é o aumento da oferta de trabalho nessas plataformas.
FLEXIBILIDADE E FALTA DE EMPREGO SÃO MOTIVAÇÕES.
A Pnad de 2025 investigou os motivos do trabalho principal por meio de aplicativos. A flexibilidade foi a razão mais apontada (26,8%), seguida pela falta de outro emprego (24,6%).
A outra opção com percentual acima de 20% foi a renda maior do que em outros trabalhos disponíveis (20,8%).
Os dados também indicam que os homens são a maioria dos plataformizados. Eles responderam por 84,4% do grupo que utilizava os aplicativos como trabalho principal em 2025.
A parcela masculina na população ocupada fora das plataformas também é maioria, mas não é tão alta (58,2%).
No recorte por idade, a principal fatia dos trabalhadores de aplicativos é a de 25 a 39 anos (47%).
Entre os profissionais fora das plataformas, o grupo mais numeroso pertence a uma faixa etária mais velha, de 40 a 59 anos (39,3%).
Mais da metade dos plataformizados tinha ensino médio completo e superior incompleto: 62,5%.
Esse nível de instrução também é o mais comum entre os ocupados fora dos apps no setor privado, mas o percentual não é tão elevado (45,3%).
Em números
- O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas exercendo o seu trabalho principal ou
- Ada como plataformizada atuava no transporte particular de passageiros diferente de táxi (1,1 milhão ou 53,9%)
- Il ou 16%) e de táxi (232 mil ou 11,8%)
- Do total de 2 milhões de plataformizados, uma parcela de 1,8 milhão rec
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