A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de André Mendonça, seu colega de Corte, gerou críticas da oposição.
Em manifestações sobre o tema, políticos trataram a iniciativa como tentativa de retaliação de Moraes a Mendonça após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Moraes transformou a investigação em um instrumento de “poder pessoal”.
Para o senador, a decisão contra Mendonça representa uma inversão de valores, porque o ministro que aparece nas mensagens reveladas pelo caso Master deveria prestar esclarecimentos, e não usar poderes investigativos contra quem conduz a apuração.
Lula se posiciona sobre crise no STF, defende reforma no Judiciário e apuração.
Presidente também criticou o que chamou de vazamentos seletivos e afirmou esperar que Fachin e Gonet liderem investigação sobre caso Master.
Delegados criticam Gilmar e dizem que PF não é responsável por crise no STF.
Entidade classificou como “lamentável” proposta de retirar delegados de gabinetes e afirmou que medida busca “tirar o foco” de problemas da Corte.
O senador também criticou a continuidade do inquérito das Fake News, aberto em 2019, e afirmou que nenhum ministro do Supremo deveria estar acima do escrutínio.
Ao final da nota, convocou manifestações no 7 de Setembro contra o que chamou de “práticas de exceção”.
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), também reagiu nas redes em tom de ataque direto ao ministro. Zema afirmou que “ditadores não recuam” e acusou Moraes de eliminar rapidamente qualquer pessoa que ameace seu poder.
Já o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que vem aumentando o tom de suas críticas nos últimos dias, adotou uma estratégia diferente e afirmou que acionará o presidente do STF, Edson Fachin, para apurar a conduta de Moraes.
Segundo ele, a proximidade temporal entre as revelações do caso Master e a decisão contra Mendonça levanta a suspeita de que o ministro tenha usado as prerrogativas do cargo para reagir contra o colega.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também atacou a decisão e afirmou que Moraes teria comprometido o que “restava” de credibilidade do Supremo. Ela criticou o uso do inquérito das Fake News e classificou a decisão como arbitrária e autoritária.
A senadora também chamou Moraes de “Nero brasileiro dos tempos modernos” e defendeu que a população vá às ruas para pressionar pela saída do ministro do Supremo.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que foi relator da CPI do Crime Organizado, também questionou a decisão. Ele chamou atenção para o fato de Moraes ter usado o Inquérito das Fake News para acusar um colega que havia levado ao STF uma investigação que alcança o próprio ministro.
Ele disse ainda que pretende usar, no Senado, “todos os instrumentos possíveis” para tirar a Casa do que chamou de “sono profundo” e afirmou que o escândalo não pode ser colocado “debaixo do tapete”.
Também pediu ao presidente do STF uma atuação “firme e equilibrada”.
Interpretação similar apareceu na reação do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que resumiu a decisão como uma inversão entre investigador e investigado.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que Mendonça desse voz de prisão a Moraes durante uma sessão do Supremo.
Em meio à escalada da crise no Supremo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou um vídeo em que falou pela primeira vez sobre o caso Master, mas evitou citar Moraes nominalmente.
A gravação foi publicada pouco depois da decisão do ministro contra Mendonça.
Lula afirmou que há suspeitas de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso e defendeu que todos sejam investigados, sem blindagem. Também cobrou do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma atuação capaz de garantir a integridade das investigações.
Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente do Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações — afirmou Lula.
O presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” e disse que o sistema político e o Judiciário precisam de “reformas profundas”. A gravação foi interpretada no entorno do presidente como uma forma de evitar que a crise envolvendo Moraes respingasse em sua campanha à reeleição.
No campo governista, parlamentares aproveitaram a fala para reforçar a narrativa de que o caso Master deve ser investigado de forma ampla e também puxaram o foco para as relações de Vorcaro com o grupo político de Bolsonaro.
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