Rio de Janeiro Produtores rurais do Rio Grande do Sul alertam ao governo que começam a ter dificuldades para encontrar diesel, repetindo uma crise enfrentada logo no início da guerra no Irã.
A escassez, dizem, pode afetar o plantio das safras de arroz e soja no estado.
O diesel que eu precisava comprar hoje, eu não consegui", conta o produtor Fernando Rechsteiner, de Pelotas (RS), que é um dos diretores da Farsul (Federação dos Agricultores do Rio Grande do Sul).
Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o cenário não caracteriza desabastecimento até o momento.
Refinaria da Petrobras em Canoas (RS): produtores gaúchos dizem que diesel que ainda existe ficou mais caro. - Diego Vara/Reuters Rechsteiner, como outros produtores da região, está iniciando o plantio de arroz e preparando o solo para a soja, plantada em outubro.
Eles estão preocupados porque o El Niño tende a ampliar as chuvas no estado, reduzindo a janela para o plantio.
A Farsul enviou ofícios à ANP e ao MME (Ministério de Minas e Energia). Seu presidente, Domingos Antônio Velho Lopes, diz que ouviu promessa de reforço no suprimento ao estado.
Desde a semana passada, começamos a ter relatos no interior, de diversas regiões e diversas culturas, de incremento de preços no diesel", diz ele. "Nos últimos dias, além da alta de preços, pedidos começaram a ser negados pelos fornecedores.
A ANP confirmou o contato dos produtores gaúchos, mas disse que informações obtidas com Petrobras e distribuidores indicam que "as entregas dos volumes contratados seguem ocorrendo normalmente.
O mercado de combustíveis diz que o problema ainda é pontual, mas que a situação do abastecimento voltou a ficar preocupante com o recrudescimento das guerras no Irã e na Ucrânia —que passou a atacar refinarias russas, interrompendo fluxos que abasteciam o Brasil.
Neste momento, segundo executivos do setor, a escassez afeta principalmente clientes do mercado de curto prazo, que não têm contratos com grandes distribuidoras ou com a Petrobras.
Em geral, compram de empresas conhecidas como TRR (transportador e revendedor retalhista).
Esse mercado está mais exposto a importações de empresas privadas, hoje menos rentáveis diante da elevada defasagem dos preços da Petrobras em relação às cotações internacionais do combustível.
Na abertura do mercado desta terça-feira (15), o preço de venda do diesel nas refinarias da estatal estava abaixo da metade da paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
O mercado entende que as compras para o mês de setembro garantem o consumo, mas está preocupado com outubro. Segundo a Abicom, o volume já contratado para o mês representa apenas 10% das necessidades de importações do país.
Em nota, a Petrobras destacou que o mercado brasileiro é atendido por diversos agentes e que suas entregas de diesel seguem conforme o planejado e de acordo com seus compromissos comerciais, entregando todo o volume contratado.
Disse ainda que "acompanha de forma integrada o cenário de oferta e demanda de combustíveis". "Para setembro e outubro, está prevista a importação de diesel em volumes compatíveis com a demanda, considerando a sazonalidade típica do período", afirmou.
A ANP afirmou que mantém acompanhamento do mercado nacional e que não há quadro de desabastecimento em nenhuma região do país. "Os níveis de estoque variam naturalmente entre regiões e ao longo do tempo, em razão da dinâmica de produção, movimentação e consumo", afirmou.
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