Dois meses depois de as bancas de jornal do Rio começarem a vender o cartão Jaé, ainda é difícil encontrar o bilhete em alguns bairros da cidade. O RJ2 percorreu bancas na Tijuca, em Copacabana e no Centro e encontrou pontos sem o cartão para venda e sem serviço de recarga.
Passageiros encontram dificuldades para comprar o cartão Jáé em bancas.
A dificuldade é conhecida por quem depende das bancas para comprar ou recarregar o cartão.
É muito difícil. Eu vejo muitas pessoas procurando e não encontram. Nem como comprar nem como recarregar o Jaé", contou a cabeleireira Lucimar dos Santos Paula.
Em junho, depois que os ônibus municipais deixaram de aceitar pagamento em dinheiro, a Prefeitura do Rio transformou bancas de jornal em pontos de venda e recarga do Jaé.
Mas, na prática, a reportagem encontrou dificuldade para localizar o cartão.
Na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, a equipe passou por oito bancas de jornal. O Jaé só foi encontrado na oitava. Nenhuma das oito bancas fazia recarga do cartão.
Segundo o jornaleiro Claudio Castanharo, a procura é grande e os cartões acabam rapidamente.
O negócio é que acaba rápido, as pessoas solicitam demais. Assim a gente vai colocando, porque acaba rápido. Em dois, três dias, acaba", contou.
Ele afirma que o abastecimento depende da Prefeitura. "Não depende de nós, depende da prefeitura em si mandar pra gente o cartão.
O jornaleiro Rodrigo Trota também relata dificuldade para receber novas unidades. Segundo ele, a banca recebeu apenas uma remessa, com 20 cartões, que foram vendidos rapidamente.
Vieram 20 cartões e vendeu muito rápido, depois, mais nada. Nossa banca tá cadastrada na prefeitura, mas até agora ninguém mandou nada pra gente.
Rodrigo diz que chegou a seguir os procedimentos indicados para solicitar uma nova remessa, mas não recebeu mais cartões.
Recebi uma vez só, mas depois nunca mais. A gente fez o relatório, tudo bonitinho, pagou pelo banco que eles deram pra gente, mas depois nunca mais recebeu nada.
Em Copacabana, algumas bancas exibem o cartaz indicando que vendem o Jaé. Mas encontrar o cartão disponível é outra história.
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Em uma banca próxima à Rua Raimundo Corrêa, a reportagem encontrou uma situação semelhante: o estabelecimento ficou mais de um mês sem receber novos cartões. A reposição chegou apenas na véspera da reportagem — e as unidades já tinham acabado.
Mesmo perto de um posto do sistema de bilhetagem digital, a compra não é garantida. O problema também foi encontrado no Centro do Rio.
A reportagem passou por sete bancas no Largo da Carioca, próximo à saída do metrô. Nenhuma tinha cartões Jaé disponíveis para venda.
Jornaleiros ouvidos pela reportagem também reclamaram da falta de orientação sobre o abastecimento e disseram não saber quando receberão novas unidades.
Falta uma resposta pra gente, né? Por que não tá mandando? É até uma falta de respeito com o público. Um monte de gente procura a prefeitura, nada faz", afirmou Rodrigo.
A Secretaria Municipal de Transportes informou que a reposição dos cartões ocorre mediante solicitação feita pela própria banca.
Segundo a secretaria, desde o início do projeto, 9. 170 cartões foram repostos em 290 bancas que solicitaram novas unidades.
A pasta afirmou ainda que não foram registradas reclamações de usuários sobre falta de cartões nas bancas nem pela Central 1746 nem pela Ouvidoria.
A Secretaria de Ordem Pública informou que vai realizar uma ação para verificar se as bancas estão cumprindo a determinação de vender os cartões avulsos.
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